O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), deputado Alexandre Curi (PSD), que até então evitava temas espinhosos sobre a sucessão estadual, resolveu quebrar o silêncio. Em entrevista exclusiva ao Blog do Esmael, o parlamentar admitiu publicamente pela primeira vez que pode abrir conversas com o senador Sergio Moro (União Brasil), hoje adversário direto na disputa pelo Palácio Iguaçu em 2026. [Abaixo, assista ao trecho da entrevista.]
PSD, lealdade e viabilidade eleitoral
Pré-candidato declarado ao governo do Paraná, Curi reforçou sua lealdade ao PSD e ao governador Ratinho Júnior, mas não descartou a possibilidade de composição com Moro. “Essa é uma decisão que o partido vai tomar no momento certo, e eu vou respeitar”, afirmou, reconhecendo que o senador paranaense não representa oposição ao governo estadual — embora seja ferrenho crítico de Lula em Brasília.
A fala sinaliza uma inflexão política relevante. Até aqui, o discurso oficial girava em torno da manutenção de uma frente governista coesa, centrada na continuidade do projeto de Ratinho. Agora, Curi insinua que, caso sua candidatura não avance, o PSD poderá dialogar com outros atores — inclusive com Moro.
O que diz a base municipalista
Durante o tradicional encontro da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), em abril, Curi pregou a necessidade de uma frente municipalista, evitando nominar adversários. Na entrevista ao Blog do Esmael, porém, ele explicou que a fala não foi uma crítica direta ao ex-juiz da Lava Jato, mas um alerta sobre o perfil necessário ao futuro governador.
“O próximo governador tem que ser municipalista, tem que estar próximo dos prefeitos, conhecer as demandas das regiões. Isso não é uma crítica ao Moro ou a ninguém, é apenas o que escuto na base”, disse o presidente da ALEP.
O recado tem destino claro: nos bastidores, prefeitos reclamam da postura distante de Moro em relação às demandas locais. Já Curi tem percorrido o interior com o programa Assembleia Itinerante, colhendo sugestões e reforçando sua imagem de gestor dialogante.
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Entre o pragmatismo e o projeto político
O gesto de Alexandre Curi revela um cálculo pragmático. Embora pretenda consolidar sua pré-candidatura com base em experiência e articulação regional, o deputado reconhece que o cenário de 2026 exigirá composições complexas.
Sergio Moro, apesar das controvérsias, ainda conta com recall alto no estado e deve disputar com força o governo. Ao deixar a porta entreaberta para o diálogo, Curi não apenas amplia o leque de possibilidades do PSD, como sinaliza que, no xadrez paranaense, o jogo ainda está longe do xeque-mate.
A própria postura do governador Ratinho Júnior tem alimentado especulações. Ele já disse publicamente que deseja um sucessor do seu partido, mas evita apontar nomes. E, nos bastidores, acompanha com atenção tanto o desempenho de Curi quanto os movimentos de Moro.
Um aceno estratégico ou recuo tático?
Ao dizer que “não está dizendo que o PSD não pode dialogar com Sergio Moro”, Alexandre Curi antecipa uma narrativa conciliadora. Ele ensaia ocupar o papel de ponto de equilíbrio entre o núcleo duro do ratinhismo e os setores que enxergam em Moro um nome forte para 2026, ainda que com fragilidades políticas.
Mais do que uma declaração isolada, trata-se de um gesto estratégico. Curi busca manter sua pré-campanha viva, mas sinaliza maturidade política ao não descartar alianças — inclusive com adversários. Essa elasticidade discursiva é, ao mesmo tempo, virtude e risco: pode ampliar apoios, mas também gerar ruído entre aliados que prefeririam uma linha mais firme contra Moro.
O xadrez da sucessão está aberto
A entrevista exclusiva de Alexandre Curi ao Blog do Esmael explicita os movimentos iniciais de um jogo complexo pela sucessão de Ratinho Júnior. Em meio à fragmentação da direita paranaense, o PSD busca se posicionar como força de centro, capaz de manter a continuidade administrativa sem descartar alianças improváveis.
Ao admitir conversas com Sergio Moro, Curi não apenas amplia suas opções, como coloca pressão sobre adversários internos. A sucessão estadual entrou definitivamente em campo — e, como no futebol, os lances mais decisivos ainda estão por vir.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




