O IRG Pesquisas, apelidado de DataRatinho por deputados governistas na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), registrou na sexta-feira (15) uma pesquisa para governo e Senado no Paraná que deixa Guto Silva (PSD) fora da cartela estimulada ao Senado e inclui o ex-secretário da Segurança Pública coronel Hudson Leôncio Teixeira (PSD). O questionário mostra que o grupo de Ratinho Junior (PSD) ainda mede alternativas para 2026, mesmo depois de deslocar Sandro Alex (PSD) para a disputa pelo Palácio Iguaçu.
A pesquisa está registrada sob o número PR-06178/2026, prevê 1.000 entrevistas por telefone entre sábado (16) e quarta-feira (20), tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais e divulgação marcada para quinta-feira (21). O próprio IRG aparece como contratante e pagante, ao custo declarado de R$ 25 mil, com recursos próprios.
O dado político não está no resultado, que ainda não foi divulgado. Está na lista de nomes escolhidos para o eleitor ouvir.
Na disputa ao Senado, o questionário apresenta Alexandre Curi (PSD), Alvaro Dias (MDB), Coronel Hudson, Cristina Graeml (PSD), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Gleisi Hoffmann (PT). Guto Silva, que até pouco tempo era tratado como peça forte do grupo palaciano, não aparece nas duas perguntas estimuladas para a primeira e a segunda opção de voto ao Senado.
A ausência pesa porque Guto já foi vendido como quadro de confiança de Ratinho Junior. Ele deixou a Secretaria das Cidades em abril, em meio às articulações eleitorais, depois de ter sido cotado para a sucessão estadual e, em seguida, empurrado para fora do centro da chapa governista.
Hudson entra no lugar desse vácuo, embora, nas redes sociais, Guto Silva agora também se apresente coo pré-canditato ao Senado.
O coronel Hudson deixou o comando da Secretaria da Segurança Pública do Paraná no começo de abril para disputar a eleição de 2026, em movimento atribuído ao governador Ratinho Junior. Ele chefiava a pasta desde janeiro de 2023 e foi apresentado pelo governo como vitrine da área de segurança.
A cartela do IRG também revela outro ponto sensível para o Palácio Iguaçu. No governo do Paraná, Sandro Alex aparece em cenários contra Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT), Rafael Greca (MDB), Luiz França(Missão) e Tony Garcia (DC). Em uma das perguntas, Sandro é apresentado com apoio de Ratinho Junior, enquanto Moro aparece com apoio de Flávio Bolsonaro (PL).
Essa formulação testa transferência de padrinho político em uma eleição em que Ratinho tem aprovação alta, mas ainda não conseguiu transformar popularidade administrativa em herdeiro eleitoral consolidado, como o próprio Blog do Esmael já mostrou em levantamentos anteriores sobre a fragilidade de Sandro Alex.
O Senado, porém, virou o ponto mais revelador da pesquisa. A presença de Alexandre Curi e Coronel Hudson na mesma cartela mostra que o governismo testa uma combinação de máquina legislativa, segurança pública e recall de nomes conhecidos. A ausência de Guto Silva indica, no mínimo, que sua utilidade eleitoral passou a ser reavaliada dentro do próprio campo governista.
Isso não significa que Guto esteja fora da política de 2026. O questionário não substitui convenção, ata partidária nem decisão formal de chapa. Pesquisa mede cenário, testa nomes e organiza o debate interno. Mas, em política, aparecer ou sumir da cartela já produz leitura entre aliados, adversários e financiadores.
O apelido DataRatinho, usado por governistas da Alep para se referir ao IRG, nasce justamente dessa desconfiança de bastidor: a pesquisa passou a ser lida como termômetro do Palácio Iguaçu, não apenas como fotografia eleitoral. O risco para Ratinho é transformar sondagem em senha pública de preferência, fritura ou descarte.
O resultado só poderá ser conhecido na quinta-feira (21). Até lá, o fato verificável é o desenho do questionário: Sandro é testado como sucessor, Moro como adversário central, Hudson como novidade no Senado e Guto Silva como ausência barulhenta.
Ratinho ainda procura uma chapa que sobreviva ao próprio peso da sucessão. O DataRatinho, ao testar Hudson e apagar Guto da cartela, mostra que a base governista continua mexendo nas peças antes de convencer o eleitor.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




