O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera a corrida pelo governo de Minas Gerais com 30% a 37% nos cenários estimulados da Genial/Quaest, divulgada nesta terça-feira (28), e transforma o plano presidencial do ex-governador Romeu Zema (Novo) em problema doméstico. Zema saiu do governo para disputar o Planalto, mas seu sucessor político, o governador Mateus Simões (PSD), aparece com apenas 3% a 5%.
O dado pesa porque Minas Gerais não é um estado qualquer no mapa de 2026.
O estado tinha 16,4 milhões de eleitores aptos em 2024 e seguia como o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG).
A pesquisa mostra Cleitinho com 30% no cenário com Alexandre Kalil (PDT), Rodrigo Pacheco (PSB), Mateus Simões, Flávio Roscoe (PL), Maria da Consolação (PSOL), Ben Mendes (Missão), Gabriel Azevedo (MDB), Rafael Duda (PSTU) e Túlio Lopes (PCB). Kalil aparece com 14%, Pacheco com 8% e Simões com 4%.
Sem Kalil, Cleitinho sobe para 35%. Pacheco fica com 11%, Simões com 5%, Ben Mendes e Maria da Consolação têm 4%, e Gabriel Azevedo marca 3%.
Sem Pacheco, Cleitinho vai a 37%. Kalil registra 16%. Mateus Simões cai para 3%, empatado numericamente com Ben Mendes e Gabriel Azevedo.
O recado político é simples.
Cleitinho ocupa a dianteira da direita mineira sem depender da bênção direta de Zema. Simões, que herdou o governo, ainda não herdou voto.
A Quaest também testou a disputa sem Cleitinho. Nesse cenário, Kalil aparece com 18%, Pacheco com 12% e Simões com 5%. A ausência do senador reorganiza a eleição, mas não resolve a fragilidade do nome ligado ao ex-governador.
No segundo turno, o problema fica maior para Zema.
Cleitinho venceria Kalil por 48% a 26%, Pacheco por 43% a 23%, Simões por 46% a 13% e Roscoe por 45% a 13%, segundo a CNN Brasil, com base nos dados da Quaest.
A distância contra Simões é o número mais duro para o grupo de Zema.
O governador em exercício aparece 33 pontos atrás de Cleitinho numa simulação direta. Para quem quer disputar a Presidência da República, deixar Minas sem um herdeiro competitivo enfraquece a vitrine de gestão.
A pesquisa também mostra que 68% dos eleitores mineiros não conhecem Mateus Simões. Outros 12% dizem conhecê-lo e votar nele, enquanto 20% afirmam que o conhecem, mas não votariam.
Esse desconhecimento é o buraco político do zemismo.
Zema tenta vender Minas como cartão de visita nacional. Mas a Quaest indica que seu sucessor ainda não virou personagem eleitoral relevante no próprio estado.
Outro dado ajuda a medir o tamanho da encrenca.
Para 49% dos eleitores mineiros, Zema não merece eleger um sucessor. Outros 42% dizem que ele merece, e 9% não sabem ou não responderam. A pesquisa anterior, de agosto de 2025, apontava 48% contra a eleição de um sucessor e 46% a favor.
Há, portanto, desgaste acumulado.
Zema ainda tem peso político, mas esse peso não aparece, por ora, transferido para Simões. Em eleição estadual, máquina ajuda, mas não substitui nome conhecido, palanque vivo e voto consolidado.
Cleitinho entra nesse vácuo.
O senador fala com o eleitorado de direita por fora da engenharia tradicional dos partidos. Tem presença digital, linguagem popular e base própria. A Quaest mostra que 41% dos entrevistados dizem conhecê-lo e votar nele, enquanto 39% não o conhecem e 20% o conhecem, mas não votariam.
Esse número sugere margem de crescimento e risco ao mesmo tempo.
Cleitinho lidera sem ser conhecido por quatro em cada dez eleitores. Simões, ao contrário, sofre para deixar de ser apenas o sucessor administrativo de Zema.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 1.482 eleitores em Minas Gerais entre 22 e 26 de abril, em entrevistas presenciais. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo MG-08646/2026.
Pesquisa não é urna.
Mas pesquisa move partido, doador, palanque e traição preventiva. Em Minas, o retrato de abril coloca Cleitinho na frente, empurra Simões para a defensiva e obriga Zema a explicar como pretende disputar o Brasil sem garantir a própria casa.
Para a direita, Minas virou uma dor de cabeça dupla: escolher um nome nacional e impedir que a sucessão estadual escape do controle.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




