O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou em areia movediça em Minas Gerais. Aliados do centrão avaliam que nenhum dos palanques hoje à mesa é o ideal para o presidenciável da direita no estado, o segundo maior colégio eleitoral do país, com 16.469.155 eleitores aptos em 2024.
O problema mineiro tem nome, sobrenome e matemática. Flávio Bolsonaro não chega a 23 de abril de 2026 com um palanque fechado em Minas, justamente onde a disputa costuma pesar no resultado nacional. A fragilidade é ainda mais sensível porque a própria campanha dele segue em busca de uma coalizão vencedora.
Uma saída seria o governador Mateus Simões (PSD-MG). Ocorre que esse caminho assusta aliados de Flávio Bolsonaro porque Simões aparece mal posicionado nas pesquisas divulgadas em 1º de abril: na AtlasIntel, ele marcou 6,2% em um cenário de primeiro turno, muito atrás do senador Cleitinho (Republicanos-MG), com 32,7%, e de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), com 28,6%.
Há outro ruído nesse arranjo. Simões trabalha pela unificação da direita mineira e admitiu que conversa com lideranças como Cleitinho e Nikolas Ferreira (PL-MG) para evitar fragmentação. Só que a filiação do senador Carlos Viana ao PSD, para disputar a reeleição ao Senado na chapa de Simões, embaralhou as vagas e apertou a costura com o PL.
A conta ficou pior porque Marcelo Aro (PP-MG), que já se colocava como pré-candidato ao Senado, rompeu o conforto do bloco de Simões após a chegada de Viana. Aro deixou claro o desconforto com uma chapa que teria três nomes rondando duas vagas, ele, Viana e o deputado Domingos Sávio (PL-MG), lançado pelo PL para o Senado em 8 de abril com a presença de Flávio Bolsonaro.
Traduzindo para a política real: se Flávio Bolsonaro encosta em Simões, ele herda junto um engarrafamento para o Senado e uma negociação indigesta com PSD, PP e PL. Em ano de eleição presidencial, palanque que nasce dividido costuma chegar manco na rua. Essa é a parte do mapa que assusta o centrão.
A alternativa mais forte nas urnas, até aqui, é Cleitinho. A AtlasIntel mostrou o senador do Republicanos na liderança em Minas e até vencedor em simulações de segundo turno. Só que esse caminho também vem com desconfiança. Uma ala do PL considera Cleitinho inconsistente, enquanto aliados de Flávio Bolsonaro, como Nikolas Ferreira, desestimulam essa aliança.
Nem o PL mineiro transmite unidade plena. Em 22 de abril, um almoço organizado por Nikolas Ferreira em Belo Horizonte acentuou as rusgas internas no partido. Para um projeto presidencial, isso pesa mais em Minas do que em qualquer praça periférica, porque ali o palanque estadual precisa funcionar como vitrine de unidade, não como laboratório de crise. A segunda frase é uma inferência a partir do peso eleitoral do estado e do quadro partidário descrito nas reportagens.
Também existe a hipótese de candidatura própria ao governo mineiro. O PL já fala em estrutura para isso e mantém diálogo com nomes como Flávio Roscoe, Simões e Cleitinho. Mas, segundo a avaliação reproduzida do núcleo político, lançar um nome próprio hoje seria um tiro no escuro.
No fundo, Minas expõe um defeito nacional da candidatura de Flávio Bolsonaro. O senador pode até ganhar fôlego em pesquisas nacionais e comprar tempo para organizar equipe e discurso, mas presidência não se vence só com intenção de voto; vence-se com palanque, vice, Senado e capilaridade nos estados decisivos. Em Minas, esse quebra-cabeça ainda está longe de fechar.
Para Flávio Bolsonaro, o impasse mineiro é maior que um problema regional. Se a direita não resolver quem carrega o projeto em Minas sem rachar o bloco conservador, o estado pode deixar de ser motor e virar âncora.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




