O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira (28), durante a Agrishow, em Ribeirão Preto, e reforçou sua tentativa de ocupar o corredor anti-STF da direita em 2026, onde já estão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e a tropa da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Zema disse que a harmonia entre Executivo e Judiciário só viria quando os dois lados não tivessem “rabo preso”. A frase mirou o presidente Lula (PT) e ministros do STF.
O ataque não foi improviso de feira.
Zema chegou à Agrishow com camiseta preta estampada com a frase “Chega de intocáveis”, reservou boa parte da conversa com jornalistas para criticar o Supremo e voltou a chamar a Corte de “Supremo Tribunal de Negócios”, segundo o Money Times.
A escolha do alvo mostra o cálculo eleitoral.
Sem empolgar nas pesquisas nacionais, Zema tenta transformar o confronto com o STF em atalho para falar com a base bolsonarista. O problema é que esse caminho já tem dono, fila e disputa interna.
Flávio Bolsonaro foi apresentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como nome do clã para 2026 e assumiu protagonismo em ato anti-Lula e anti-STF realizado em 1º de março, na Avenida Paulista, convocado por Nikolas Ferreira e pelo pastor Silas Malafaia.
A manifestação consolidou a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e o enfrentamento ao Supremo como eixos do discurso da direita. Zema participou do mesmo ambiente político, ao lado de outros pré-candidatos do campo conservador.
A conta de Zema é simples.
Ele tenta parecer candidato nacional sem depender do Novo, partido pequeno para uma disputa presidencial. Para isso, precisa atravessar Minas Gerais, entrar no debate nacional e disputar o eleitor que ainda vê Bolsonaro como referência.
Só que o discurso anti-STF já está ocupado por Nikolas, por Flávio Bolsonaro, por Jair Bolsonaro e pelos parlamentares que defendem anistia ou redução de penas para envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
Zema tenta vender a imagem de gestor indignado. Mas, quando troca proposta por ataque ao Supremo, ele entra no mesmo palanque emocional do bolsonarismo raiz.
Na Agrishow, o ex-governador também criticou Lula, falou em cortar gastos e prometeu reduzir juros, mas o centro de sua aparição foi a ofensiva contra ministros da Corte. Ele evitou detalhar pontos como vice na chapa e reforma do Judiciário.
Essa é a contradição.
Zema diz que quer reorganizar a relação entre poderes, mas faz pré-campanha batendo no STF com a linguagem do confronto. O discurso pode render aplauso em bolhas bolsonaristas, mas também o prende a uma pauta que Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira já operam com mais musculatura.
Para a direita, o risco é a superlotação do mesmo palanque.
Para Zema, o risco é virar coadjuvante no próprio ataque.
A ofensiva contra o STF dá manchete, mas não resolve a pergunta central de 2026: se Zema será candidato competitivo ao Planalto ou apenas mais um nome tentando pedir licença ao bolsonarismo para existir nacionalmente.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




