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Datafolha mede Lula e direita em pesquisa registrada para quinta

O presidente Lula (PT) volta ao termômetro do Datafolha com um levantamento nacional registrado para divulgação em quinta-feira (5), teste que chega embalado por uma sequência de fatos que mexeram com a agenda política e institucional do país nas últimas semanas.

O registro no sistema de pesquisas eleitorais do TSE traz os dados centrais do estudo BR-03715/2026: 2.004 entrevistas, coleta entre terça-feira (3) e quinta-feira (5), margem de erro máxima de 2 pontos e nível de confiança de 95%. A pesquisa do Datafolha foi contratada pelo jornal Folha de S.Paulo, do mesmo grupo, com valor declarado de R$ 307.641,60.

O desenho do questionário indica que não será só “quem lidera”. O instituto mede voto espontâneo e estimulado com rodízio de cartões e lista ampla de nomes, incluindo Lula, Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Ratinho Junior, Eduardo Leite e Fernando Haddad.

Além do primeiro turno, o Datafolha vai testar cenários de segundo turno com Lula contra Tarcísio, Flávio Bolsonaro, Ratinho Junior, Caiado e Leite, e também cenários com Haddad contra Flávio Bolsonaro e Ratinho Junior. É uma forma de mapear não apenas intenção, mas teto, rejeição e transferências num cenário em que a direita ainda procura um eixo único.

O questionário também coloca lupa sobre avaliação de governo e aprovação de Lula, sentimentos sobre o Brasil, confiança em instituições como Presidência, Supremo Tribunal Federal (STF), Congresso, partidos, imprensa e Forças Armadas, e percepção de desempenho do Legislativo e do STF.

No bloco de agenda do cotidiano, o instituto mede inflação, desemprego e poder de compra, além de expectativas para os próximos meses. E abre espaço para temas de trabalho, como a discussão da jornada e a escala “seis por um”, hoje no centro de debates que conectam economia real e humor social.

Há ainda um recorte de cultura e eleição: perguntas sobre o desfile do Carnaval do Rio e a homenagem a Lula, com avaliação do entrevistado sobre adequação em ano eleitoral. Esse trecho é revelador porque mistura disputa cultural, moralismo político e comunicação, um tipo de gatilho que costuma virar munição nas redes.

O pano de fundo do país ajuda a explicar o timing do Datafolha. O Supremo concluiu condenações no caso Marielle Franco e Anderson Gomes, com penas que, segundo a Procuradoria-Geral da República, somam 76 anos para os irmãos Brazão, decisão de peso institucional e efeito político inevitável.

No Congresso, a CPMI do INSS entrou em rota de confronto com o Planalto ao pautar quebra de sigilos e levar para o centro da cena o nome de Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, num movimento que o PT trata como tentativa de atingir a popularidade do presidente.

Na economia política de Brasília, o caso BRB ganhou dimensão nacional após relatos de restrição a operações com garantias federais e estimativas de necessidade bilionária de provisões, com o episódio associado a operações envolvendo o Banco Master e a situação fiscal do DF.

E, na moldura eleitoral, o próprio TSE acelerou a atualização das regras do jogo, com sessões administrativas para votar e aprovar resoluções que vão orientar a disputa de 2026, justamente no momento em que desinformação e IA viram tema de regulamentação e fiscalização.

O Datafolha entra, portanto, como fotografia de um país tensionado entre economia do bolso, guerra cultural e disputa institucional, com um detalhe que pesa: rejeição e segundo turno, mais do que “primeiro lugar”, tendem a antecipar o enredo real de 2026.

Portanto, pesquisa grande não cria realidade sozinha, mas define o enquadramento da conversa pública, força partidos a recalcular alianças e expõe as fragilidades de quem aposta apenas em barulho digital.

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