Após o temporal do início desta semana, milhares de paranaenses seguem sem energia elétrica em várias regiões do estado, segundo denúncias que chegaram ao Blog do Esmael. A empresa, privatizada há dois anos, virou alvo de críticas por não atender sequer ligações de clientes.
Na região metropolitana de Curitiba e nas periferias da capital, moradores permanecem no escuro. Há relatos de eletrodomésticos queimados pelas quedas de energia e de famílias obrigadas a improvisar diante do desamparo. O clima é de indignação, sobretudo porque a concessionária não oferece resposta ou previsão concreta para restabelecimento do serviço.
No Oeste e no Sudoeste do Paraná, produtores rurais também acumulam prejuízos com a interrupção do fornecimento, que compromete a refrigeração de alimentos, o manejo de animais e a produção agrícola. “Estamos perdendo mercadoria e não sabemos a quem recorrer”, disse um agricultor de Cascavel em contato com o blog.
A demora na volta da energia combina três fatores: a estrutura precarizada da Copel desde a privatização, que reduziu equipes técnicas; a gravidade do temporal, que derrubou linhas de transmissão em várias regiões; e a prioridade desigual no atendimento, com bairros de maior renda sendo religados primeiro. Essa combinação ajuda a explicar por que milhares de famílias seguem há três dias na escuridão.
A deputada estadual Luciana Rafagnin (PT), cuja base eleitoral é no Sudoeste, testemunha que desde a privatização da Copel, com redução de funcionários e demissão de técnicos experientes, a resposta a eventos climáticos extremos ficou mais lenta.
Já o perfil A Copel É Nossa, do movimento crítico à venda da energética, houve a promessa de modernização, mas entregaram apagão. “A privatização da Copel não trouxe eficiência, só transformou energia em mercadoria e deixou famílias e produtores no escuro. Quando o lucro fala mais alto que o serviço público, quem paga a conta é sempre o povo.”
Enquanto isso, moradores do Batel e de bairros ricos de Curitiba celebraram a volta da energia, vista como uma “vitória” da privatização. Para esses setores, após perrengue de 30 horas, o restabelecimento nos endereços de maior renda reforça a confiança no modelo que transferiu a Copel ao controle privado. Já nas áreas populares, o apagão virou sinônimo de abandono.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




