
Suprema Corte dos Estados Unidos, de maioria conservadora, decidiu por 6 a 3 autorizar o governo Trump a ampliar batidas de imigração com base em critérios como idioma, aparência e origem étnica. A medida, anunciada em 8 de setembro, reforça o poder do Immigration and Customs Enforcement (ICE) e derruba decisão da juíza distrital Maame Frimpong, que havia limitado as operações em Los Angeles.
A sentença foi duramente criticada por juristas e defensores de direitos humanos. A juíza Sonia Sotomayor advertiu que a decisão permite a prisão de trabalhadores latinos, mesmo cidadãos norte-americanos, apenas por exercerem empregos de baixa remuneração. Cecillia Wang, da União Americana pelas Liberdades Civis, classificou a ordem como “ultrajante” e sem justificativa legal.
O julgamento evidencia a captura do tribunal pela ala conservadora, que vem respaldando sistematicamente a política anti-imigrante de Trump. Em junho, a mesma Corte autorizou deportações aceleradas sem aviso prévio, suspendeu programas humanitários que beneficiavam migrantes de Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela e reverteu decisões que garantiam proteção mínima a solicitantes de refúgio.
A repressão se intensifica em cidades como Boston e Chicago, em choque com políticas locais conhecidas como “cidades santuário”. O Departamento de Justiça chegou a processar a prefeita Michelle Wu por defender migrantes contra o ICE. Trump ameaça ainda mobilizar a Guarda Nacional, medida considerada ilegal por especialistas.
Segundo levantamento da Universidade de Syracuse, mais de 61 mil migrantes estão hoje detidos nos Estados Unidos, quase metade deles sem antecedentes criminais. Trata-se do maior número em anos, sinal de que a política migratória se tornou um projeto de perseguição massiva, com respaldo da Suprema Corte e da Casa Branca republicana.
A decisão mostra como instituições centrais da democracia americana servem à agenda de exclusão de Trump. Ao legitimar práticas discriminatórias, a Corte reforça a vulnerabilidade de milhões de trabalhadores e suas famílias. A luta pela proteção das comunidades migrantes será também uma disputa pelo futuro democrático dos Estados Unidos.
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Redação do Blog do Esmael.



