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Selic a 15%: Banco Central trava o Brasil para rentistas

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A decisão do Banco Central de elevar a Selic a 15% ao ano nesta quarta-feira (18) confirma um roteiro previsível para os leitores do Blog do Esmael — e desastroso para a economia real. É o maior nível desde julho de 2006. Em nome de um combate à inflação que não atinge os bilionários, o BC sacrifica empregos, consumo e políticas sociais, enquanto protege os lucros dos detentores da dívida pública.

O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), classificou o aumento como “indecente e proibitivo”. Em suas palavras: “É a transformação do Brasil no paraíso dos rentistas: quem vive de juros ganha, quem trabalha perde.” A crítica vem acompanhada de dados estarrecedores: em 2024, dos R$ 988 bilhões de déficit nominal, R$ 970 bilhões foram apenas em pagamento de juros.

O Copom de Galípolo recua, mas não muda a lógica

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) manteve o tom conservador que marca a gestão de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central. Apesar de sinalizar uma possível pausa no ciclo de alta para julho, o Copom insiste na retórica da “vigilância”. A inflação acumulada em 12 meses está em 5,32% — acima da meta, mas em trajetória de queda. Mesmo assim, o BC mantém a política monetária em modo punitivo, especialmente para o setor produtivo e os mais pobres.

A justificativa oficial continua sendo a “convergência da inflação para a meta”, mas as entrelinhas revelam outra prioridade: assegurar rentabilidade para os super-ricos, que lucram com aplicações financeiras de altíssimo retorno, livres de qualquer esforço produtivo ou tributação justa.



O custo social da ortodoxia: recessão disfarçada de estabilidade

O aumento da Selic acontece num ambiente de crescimento tímido, mercado de trabalho oscilante e arrecadação pressionada. O próprio Copom admite uma “moderação” no dinamismo econômico. Ainda assim, insiste em juros elevados por tempo indeterminado, como se o problema do Brasil fosse o consumo excessivo — e não o sistema tributário regressivo, a sonegação bilionária e os privilégios do andar de cima.

Não é coincidência que o ajuste fiscal tenha entrado no centro do debate público ao mesmo tempo em que a guerra entre Israel e Irã elevou a tensão geopolítica global e o decreto do IOF gerou turbulência interna. O Banco Central se comporta como um ente autônomo apenas do povo — mas absolutamente alinhado aos interesses do mercado financeiro.

Juros altos são escolha política, não técnica

O aumento da Selic para 15% não é uma reação automática à inflação. É uma escolha ideológica travestida de neutralidade técnica. A política monetária, longe de ser um instrumento neutro, é um campo de disputa. O que o Copom decide impacta diretamente a vida da maioria: aumenta o custo da dívida, desincentiva o investimento produtivo, trava o crédito e piora a desigualdade.

Enquanto isso, os super-ricos seguem blindados, lucrando com aplicações financeiras e fugindo da reforma tributária que o país tanto precisa. Se o objetivo é conter a inflação com justiça, a resposta não está nos juros — está em um novo pacto fiscal, onde quem tem mais contribua mais.

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