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Em uma decisão que contraria as expectativas do governo, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumentou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, atingindo 10,75% ao ano. Este é o primeiro reajuste desde agosto de 2022 e ocorre sob o comando de Roberto Campos Neto, nomeado durante a gestão Bolsonaro. A expectativa do mercado é de que a taxa continue subindo até 11,5% no início de 2025.
A decisão do Copom foi unânime. O comitê é formado por nove integrantes, cinco remanescentes do governo Jair Bolsonaro (PL) e quatro nomeados pelo presidente Lula (PT).
Membros do Copom
| Nome | Cargo | Indicador |
|---|---|---|
| Roberto Campos Neto | Presidente do Banco Central | Jair Bolsonaro (PL) |
| Carolina Barros | Diretora | Jair Bolsonaro (PL) |
| Diogo Guillen | Diretor | Jair Bolsonaro (PL) |
| Otávio Damaso | Diretor | Jair Bolsonaro (PL) |
| Renato Gomes | Diretor | Jair Bolsonaro (PL) |
| Ailton de Aquino | Diretor | Lula (PT) |
| Gabriel Galípolo | Diretor de Política Monetária | Lula (PT) |
| Paulo Picchetti | Diretor | Lula (PT) |
| Rodrigo Teixeira | Diretor | Lula (PT) |
Diferença de abordagem com os EUA
Enquanto o Federal Reserve dos EUA prioriza o emprego e a renda, o Banco Central do Brasil adota uma postura que visa controlar a inflação, ainda que às custas do crescimento econômico. Lula já criticou publicamente o patamar elevado dos juros, que, segundo ele, freiam a economia e impactam negativamente o poder de compra dos mais pobres.
Deflação não segura aumento
Mesmo com a deflação de 0,02% registrada em agosto, o Copom optou pelo aumento da Selic, visando alinhar as expectativas inflacionárias com a meta de 3% até 2026. No entanto, a disparidade entre as metas e as previsões do mercado, que indicam inflação acima de 4% para os próximos anos, reforça a pressão sobre o Banco Central.
A gestão de Campos Neto continua alvo de críticas de Lula, que já indicou Gabriel Galípolo, seu escolhido, para assumir o comando do Banco Central a partir de 2025.
A velha mídia comemora os juros altos

A velha mídia corporativa comemora os juros altos, anunciados pelo Copom. Explica-se: as empresas de comunicação são propriedade cruzada de bancos e fundos de especulação.
No malabarismo das bancadas de telejornais e colunistas, alega-se falsamente que o aumento da taxa Selic poderá atrair investimentos estrangeiros, usando como argumento o recente corte de juros nos EUA.
Além disso, os grandes veículos de imprensa continuam a disseminar a narrativa de que as queimadas florestais irão afetar os preços dos alimentos, sugerindo que o aumento de juros seria capaz de controlar essa suposta escalada inflacionária.
Assim, o verdadeiro impacto sobre a produção, o emprego e a renda do trabalhador é ignorado em prol da preservação dos interesses especulativos.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




