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Em 2024, a pior seca da história do Brasil

País enfrenta a pior seca da história em 2024, com índice SPEI recorde de -1,95

O Brasil atravessa a pior seca já registrada desde o início da série histórica em 1950, conforme dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O índice de Precipitação Padronizado de Evapotranspiração (SPEI) atingiu -1,95 no mês de março de 2024, superando os recordes anteriores de 1998 e 2016, demonstrando o agravamento de um problema que já afeta mais da metade do território nacional.

O SPEI, um indicador que combina a análise de chuvas e evapotranspiração, reflete o nível de severidade da seca ao longo dos meses. Em março, o índice despencou para o pior valor da série, com 58% do território brasileiro enfrentando condições de seca severa. A média histórica foi ultrapassada em grande parte devido à escassez de chuvas e ao aumento das temperaturas que aceleram o processo de evaporação.

Segundo Ana Paula Cunha, especialista do Cemaden, o SPEI pode ser interpretado como um “termômetro de sede” de uma região. “Quando o índice cai abaixo de -1, sabemos que estamos diante de uma seca intensa, e em 2024, vimos esse valor atingir níveis alarmantes em grande parte do país”, afirmou.

A seca atinge especialmente os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Cerca de 200 municípios brasileiros estão em situação de seca extrema, com São Paulo sendo o estado mais afetado, com 82 municípios em condições críticas.

O cenário é ainda mais preocupante em regiões como o oeste do Amazonas e Acre, onde a seca piorou drasticamente nos últimos meses, prolongando-se por mais de um ano em alguns municípios.

Santa Isabel do Rio Negro, no Amazonas, é um dos municípios mais afetados, lidando com 12 meses consecutivos de seca extrema. Situações semelhantes ocorrem em Canápolis (MG) e Apiacás (MT), que sofrem há 10 meses com a escassez de chuvas.

Embora o boletim de agosto de 2024 tenha apontado uma ligeira redução no número de municípios em seca extrema em comparação a julho, as previsões continuam a ser preocupantes. O governo e os especialistas estão em alerta, discutindo medidas para mitigar os efeitos desse desastre natural, que ameaça a produção agrícola, o abastecimento de água e a geração de energia no país.

A seca, historicamente, impõe desafios à segurança hídrica e energética do Brasil, além de colocar em risco a economia rural e a sobrevivência de comunidades que dependem diretamente dos recursos naturais. A escassez de chuvas nas principais bacias hidrográficas do país, como a do Rio São Francisco, intensifica a crise e exige um esforço coordenado entre os governos estaduais e federal para reduzir os danos.

Apesar dos esforços para enfrentar a seca, a mudança climática global desempenha um papel crucial no agravamento das condições meteorológicas extremas, como o prolongamento de períodos secos e a intensificação das estiagens.

A tendência é de que o Brasil continue a lidar com secas mais frequentes e severas, o que exigirá soluções inovadoras e sustentáveis para a gestão dos recursos hídricos e a adaptação às novas realidades climáticas.

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