Nesta quarta-feira (22/5), o mundo político amanheceu em estado de choque com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de absolver o senador Sergio Moro (União-PR). A rejeição da cassação do ex-juiz da Lava Jato gerou discussões intensas tanto em Curitiba quanto no cenário nacional. A decisão do TSE foi vista por muitos como resultado de um suposto “acordão” que beneficiou diversas figuras políticas de peso. Vamos analisar quem sai ganhando e quem perde com essa reviravolta.
Sergio Moro, naturalmente, é o principal beneficiado. O ex-juiz da Lava Jato, que se elegeu senador pelo Paraná, mantém seu mandato e reforça sua posição política. Moro, que enfrentou adversários de peso nas eleições de 2022, agora pode se concentrar em seus projetos legislativos sem a sombra da cassação.
Michel Temer, ex-presidente da República, e o inelegível Jair Bolsonaro, também ex-presidente, são apontados como arquitetos desse entendimento que culminou na absolvição de Moro. A decisão fortalece ambos politicamente, pois demonstra sua capacidade de articulação e influência nos bastidores do poder.
Como recompensa, Bolsonaro teria seu projeto de anistia amplo e irrestrito aprovado pelo Congresso Nacional, e, consequentemente, o direito à revanche contra o presidente Lula nas eleições de 2026.
Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, também sai fortalecido. Ao articular com o ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE, uma solução que preservasse Moro, Pacheco mostra sua habilidade política e reforça sua liderança no Senado. No plano de fundo está a eleição do senador Davi Alcolumbre (União-AP) para a presidência do Senado.
O PT e o presidente Lula também são mencionados entre os vencedores, apesar da derrota na corte eleitoral. A exposição de Moro na arena política é vista como uma forma de puxá-lo para as cordas do ringue, desgastando sua imagem pública. Além disso, Lula evita ser rotulado como perseguidor político, mantendo uma postura de respeito às instituições democráticas.
Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do TSE, também sai ganhando ao evitar uma crise institucional maior, como pedidos de impeachment no Senado. Sua decisão é vista como salomônica, equilibrando interesses diversos e mantendo a estabilidade política.
Flávio Dino, ministro do STF, ex-juiz federal, que ficou de tititi com Moro durante a sabatina na CCJ do Senado, em dezembro, que o aprovou como ministro da Corte Máxima.
Ricardo Barros, deputado pelo PP-PR, é um dos principais perdedores. Barros, que chegou a anunciar sua pré-candidatura ao Senado em uma eleição suplementar, viu suas aspirações políticas serem frustradas com a manutenção do mandato de Moro. Sua certeza na cassação de Moro se mostrou infundada, o que pode abalar sua credibilidade.
Ratinho Junior, governador do Paraná, também perde com a decisão. Caso Moro se eleja como sucessor de Ratinho no Palácio do Iguaçu, é esperado que o ex-juiz realize uma devassa nos contratos de pedágio, privatização da Copel, contratos do porto de Paranaguá e na educação. Essas ações podem desestabilizar a base política e os projetos do atual governador. A criminalização da política ainda pode ser um eixo de atuação de Sergio Moro para que ele galgue cargos maiores na República.
A decisão do TSE reflete o mosaico político brasileiro nesses tempos bicudos de neoliberalismo. A absolvição de Sergio Moro pelo tribunal eleitoral não apenas preserva seu mandato, mas também reverbera em diversos setores políticos e econômicos.
Luis Felipe Cunha, advogado e suplente de Moro, expressou em suas declarações a satisfação com a decisão do TSE. Ele destaca a dificuldade da eleição ao Senado em 2022, enfrentando adversários como Álvaro Dias e Paulo Martins, e critica a tentativa de derrubar Moro “no tapetão.
O desabafo de Cunha foi interpretado pelo mundo político como uma linha a ser seguida pelo senador Sergio Moro, a partir de agora. ‘Em 02 de outubro de 2022, vencemos uma difícil eleição ao Senado no Paraná. Derrotamos dois adversários pesados: Álvaro Dias e Paulo Martins. Álvaro teve o apoio do PT e de toda a esquerda, já Paulo foi o candidato do Governador Ratinho e de Bolsonaro”, escreveu em suas redes sociais.
Aqui está a íntegra do desabafo de Luis Felipe Cunha, suplente de Moro:
Em 02 de outubro de 2022, vencemos uma difícil eleição ao Senado no Paraná. Derrotamos dois adversários pesados: Álvaro Dias e Paulo Martins. Álvaro teve o apoio do PT e de toda a esquerda, já Paulo foi o candidato do Governador Ratinho e de Bolsonaro. Conhecido como “Paulinho Garupa”, pois só fez campanha andando de carona em moto pilotada pelo ex-presidente, Paulo mostrou-se um péssimo perdedor. Já Álvaro, após trair Moro (e não o contrário, como ele diz por aí), reuniu apoios impensáveis e fez força hercúlea para evitar o inevitável. PERDERAM. A eleição não foi difícil pelo caráter e pela envergadura dos candidatos. Foi difícil porque disputamos contra o SISTEMA, que não queria Moro no Senado. Apesar disso, VENCEMOS! Um mês após a eleição, os MAUS PERDEDORES se uniram para tentar derrubar (no tapetão) a vontade do povo paranaense. Hoje, 21 de maio de 2024, ganhamos, de novo. Não foi uma eleição, mas foi uma dura disputa contra forças políticas que arregimentaram soldados de todos os lados para nos derrubar. O TSE refutou as absurdas acusações dos derrotados. Há juízes em Curitiba. Há justiça no TSE. Aos maus perdedores, ficam apenas votos de sucesso. Afinal, 2026 se avizinha e teremos novas eleições para o Senado e para o Governo do Estado. Espero vê-los disputando nas urnas, com a mesma veemência que disputaram no tapetão, o voto dos paranaenses. Quem sabe, numa nova disputa, mais amadurecidos pelas duas incontestáveis derrotas que tiveram, vcs tragam novas propostas escorados em valores dignos, que os tornem legitimados a terem a predileção dos eleitores. Quem sabe. Difícil acreditar em vista do que fizeram até aqui, mas como Deus é maior que tudo, inclusive que a vaidade de vocês, quem sabe …
A reação política a essa decisão foi imediata. Críticos apontam para um “acordão” entre figuras influentes, enquanto apoiadores veem a decisão como uma vitória da justiça e da vontade popular. A manutenção do mandato de Moro pode influenciar as próximas eleições, tanto para o Senado quanto para o governo do Paraná, em 2026.
A absolvição de Sergio Moro pelo TSE marca um capítulo importante na política brasileira, com implicações profundas para os próximos anos. Enquanto Moro e seus aliados comemoram, seus adversários devem reavaliar suas estratégias políticas. A decisão também destaca a pluralidade das articulações políticas nos bastidores do poder, onde acordos e entendimentos são frequentemente determinantes para os destinos eleitorais. O desfecho deste episódio ainda promete muitas reviravoltas, mantendo o cenário político em constante ebulição. Portanto, recomenda-se, continue acompanhando o Blog do Esmael em tempo real.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




