Adeus, Fachin

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda pedir que os processos relatados pelo ministro Edson Fachin, no STF, sejam transferidos na corte para Ricardo Lewandowski.

De acordo com a jornalista Mônica Bergamo, da Folha, é norma que quando o relator é voto vencido, ele transfere o caso para o magistrado designado para lavrar o acórdão – no caso, o ministro Ricardo Lewandowski.

Há precedentes na tese. Isso já ocorreu em três oportunidades em que Fachin ficou do lado perdedor, como decisões que envolveram acesso à delação de Antonio Palocci.

A defesa de Lula vai argumentar que todos os processos correlatos que chegarem à corte a partir de agora sejam automaticamente relatados por Lewandowski.

A discussão do afastamento de Fachin ocorre em meio à operação da Lava Jato contra o advogado Cristiano Zanin Martins, adversário ferrenho da força-tarefa no Supremo e no Ministério Público Federal.

Zanin, por meio de nota, afirma que é alvo de retaliação da Lava Jato.

A temperatura subiu após o feriadão de 7 de Setembro, quando o ex-presidente Lula fez um pronunciamento à Nação em que se colocou “à disposição” do povo brasileiro para disputar 2022. Ou seja, a Lava Jato age como tendência de partido político governista.

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    O ex-senador Roberto Requião (MDB-PR) afirmou nesta quarta-feira (9) que a força-tarefa Lato serviu um ‘prato requentado’ na operação que invadiu a casa e o escritório do advogado Cristiano Zanin Martins, defensor do ex-presidente Lula.

    “Lava Jato Rides Again!”, escreveu o emedebista. “Serve prato requentado da Fecomercio com pompa e circunstância!”, constatou o ex-senador.

    Para Requião, nada contra a necessária luta contra a corrupção. “Mas Zannin, pelo que me consta, já apresentou comprovação de serviços prestados”, disse.

    O advogado Cristiano Zanin Martins, em nota, afirmou que “A iniciativa de Bretas de autorizar a invasão da minha casa e do meu escritório de advocacia a pedido da Lava Jato somente pode ser entendida como mais uma clara tentativa de intimidação do Estado brasileiro”.

    A autorização da operação de hoje pela manhã foi do juiz Marcelo Bretas, bolsonarista de carteirinha, portanto um aliado do presidente Jair Bolsonaro.

    Segundo a Lava Jato, a ‘Operação E$quema S’ investiga desvios de pelo menos R$ 150 milhões do Sistema S do RJ por escritórios de advocacia no Rio e em São Paulo, para propinas a agentes públicos. A operação é baseada em uma delação premiada de Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomércio.

    A operação da Lava Jato ocorre dois dias após o ex-presidente Lula fazer um pronunciamento à Nação, no 7 de Setembro, e se colocar como candidato à presidência em 2022. O Blog do Esmael não acredita em coincidências.