Presidente da OAB vira alvo de robôs bolsonaristas após delação

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, foi citado em delação premiada do ex-presidente da Fecomercio RJ (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio), Orlando Diniz.

Após a delação virar notícia, os robôs do gabinete do ódio bolsonarista subiram a hashtag #forasantacruz. Fica a pergunta: Fora de onde? Da OAB? 

Além de Santa Cruz, foram acusados de desvios o ‘Anjo’ Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro que escondeu Fabrício Queiroz; Ana Tereza Basílio, advogada de Wilson Witzel; e o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Lula.

Felipe Santa Cruz se defendeu pelo Twitter:

“Vivi para ver meu nome envolvido em uma denunciação caluniosa. O delator? Pessoa que EU processei, como advogado de instituições que o criminoso lesou. Ficou obrigado a restituir 58 milhões a clientes meus. Agora, em meio a 50 anexos (!!!) de delação, veio a retaliação.”

Agora, é estranho que Santa Cruz seja atacado quando o ‘Anjo’ da família Bolsonaro também foi delatado. A tática do gabinete do ódio parece ser atacar os adversários e ‘passar pano’ para os aliados. Isso por enquanto, pois se Wassef abrir o bico, logo vira bandido também…

Ele comenta o fato de estar sendo atacado pelo robôs bolsonaristas:

“Entro na hashtag, que está nos trending topics, #forasantacruz (Santa Cruz, no caso, sou eu), e sinto orgulho. Orgulho de ver meus opositores, pessoas que jamais, em qualquer contexto histórico, estariam ao meu lado. Ainda bem!”

Ainda sobre a delação, Felipe escreveu:

“Vou processar MAIS UMA VEZ o “delator”, agora em nome próprio e por denunciação caluniosa. A única forma de ele fazer desaparecer a calúnia é opondo a “exceção da verdade”, ou seja, provando o que disse. Fica EXPRESSAMENTE desafiado a fazê-lo.”

“Meu pedido: tão logo seja escancarado que esta mentira foi fabricada para me atacar (quem CONFESSA 50 anexos de crimes pode muito bem incluir algumas “delações por encomenda”…), você, que encaminhou a notícia para seus amigos, por favor, encaminhe também o desfecho. Obrigado.”

Na delação, o ex-presidente da Fecomércio disse:

“QUE, como naquele momento o colaborador estava com poucos recursos, ele e Felipe Santa Cruz acordaram de fazer um contrato com Anderson Prezia Franco, cujo objeto seria consultoria e assessoria jurídica para a contratada, a Fecomércio, QUE o objetivo era apenas promover uma transferência de recursos a Felipe Santa Cruz; QUE os honorários de Anderson Prezia foram, no valor bruto, R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais), QUE Anderson Prezia não prestou serviços efetivamente, uma vez que as causas já estavam cobertas por outros escritórios.”

O fato é que as delações premiadas viraram uma máquina de destruir reputações. O que era para ser um instrumento auxiliar na obtenção de provas, virou o modus operandi da Lava Jato e da Polícia Federal.

Com informações da CNN

Lava Jato ataca escritório de advogado de Lula em nova operação midiática

Advogado Cristiano Zanin Martins, defensor do ex-presidente Lula.

O escritório do advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Lula, foi alvo de um ataque da força-tarefa Lava Jato na manhã desta quarta-feira (9).

A ‘Operação E$quema S’ investiga suposto desvio de pelo menos R$ 150 milhões do Sesc, Senac e Fecomércio.

O escritório de Cristiano Zanin Martins foi delatado por Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomércio.

Segundo a Lava Jato, a ‘Operação E$quema S’ investiga desvios de pelo menos R$ 150 milhões do Sistema S do RJ por escritórios de advocacia no Rio e em São Paulo, para propinas a agentes públicos. A operação é baseada em uma delação premiada de Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomércio.

A operação da Lava Jato ocorre dois dias após o ex-presidente Lula fazer um pronunciamento à Nação, no 7 de Setembro, e se colocar como candidato à presidência em 2022. O Blog do Esmael não acredita em coincidências.

Além de atingir o escritório de Zanin, a ‘Operação E$quema S’ deu uma desbaratinada ao cumprir mandados também contra os advogados Frederick Wassef (ex-advogado da família Bolsonaro) e Ana Tereza Basílio (Wilson Witzel).

Nessa operação de hoje, o presidente Jair Bolsonaro, o ex-presidente Lula e governador afastado Wilson Witzel não são investigados.

A Polícia Federal informa que cumpriu 50 mandados de busca e apreensão. Nenhum de prisão.

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Fim da proscrição política de Lula é uma exigência democrática

Por Milton Alves*

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é alvo de odiosa proscrição política: Durante anos, Lula enfrenta uma orquestrada e sem precedentes operação de lawfare conduzida pela chamada operação Lava Jato. Além disso, na mídia a serviço dos poderosos, segue uma permanente campanha contra a imagem e o legado político do maior líder popular do país.

Nos últimos dias, setores políticos e jurídicos debatem a situação de Lula, que aguarda uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a anulação das sentenças impostas pelo ex-juiz federal Sérgio Moro, marcadas por inúmeras ilegalidades numa afronta aberta à Constituição Federal e à democracia. “Anular a sentença injusta de Moro contra Lula é imprescindível para o Estado Democrático de Direito e palavra de ordem para quem luta pela democracia”, tem argumentado a presidente do PT, a deputada Gleisi Hoffmann.

A série de artigos divulgados pelo The Intercept Brasil, em meados do ano passado, confirmou os elementos suficientes para anular todas as condenações forjadas pelos métodos da Lava Jato.

Após importantes vitórias jurídicas no âmbito da Segunda Turma do STF, o ex-presidente Lula ainda espera o julgamento do habeas corpus sobre a suspeição do então juiz Sérgio Moro no comando da Operação Lava Jato – uma decisão que pode anular todos os processos dirigidos por ele contra o petista.

Em torno desse futuro julgamento no STF, forças poderosas moverão os seus dardos para impedir uma decisão que favoreça Lula e garanta a recuperação de seus direitos políticos. É preciso, mais uma vez, evitar ilusões desnecessárias nos tribunais superiores, que estão no momento sob o fogo cerrado da polarização política e ideológica em curso no país.

Apesar do enfraquecimento crescente da Lava Jato e das contradições parciais do governo Bolsonaro com os “setores lavajatistas” do MPF, é importante levar em conta a existência objetiva de uma união sagrada de ambos contra Lula e o PT. Ou seja, a atual disputa de rumos no país será um fator presente no julgamento da Segunda Turma do STF – ainda sem uma data definida. Tudo indica que Lula terá pela frente uma nova e dura batalha política, jurídica e midiática.

O PT e seus aliados precisam promover urgentemente uma ampla e vigorosa jornada pela anulação das criminosas e ilegais sentenças contra Lula. As campanhas eleitorais do PT para as prefeituras também devem levantar a bandeira em defesa da recuperação dos direitos políticos do ex-presidente.

Portanto, a demanda pelo fim da proscrição política de Lula está inserida no combate de fundo contra o projeto neoliberal das classes dominantes e do imperialismo operado pelo desastroso governo de Bolsonaro.

*Milton Alves é ativista político e social. Autor do livro ‘A Política Além da Notícia e a Guerra Declarada Contra Lula e o PT’