PCdoB quer CPI sobre vazamento da PF no escândalo Queiroz-Bolsonaro

A líder do PCdoB na Câmara, Perpétua Almeida (AC), defendeu neste domingo (17) a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias do empresário Paulo Marinho.

A Polícia Federal (PF) antecipou ao senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) que seu ex-assessor Fabrício Queiroz seria alvo de uma operação. A informação foi dada pelo suplente do senador, o empresário Paulo Marinho (PSDB), à jornalista Mônica Bergamo, na Folha.

Queiróz movimentou milhões por meio de “rachadiha” no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. Nesse esquema, funcionários repassavam parte de seus salários ao parlamentar.

Segundo o ex-aliado, os policiais teriam segurado a operação, então sigilosa, para que ela não ocorresse no meio do segundo turno, prejudicando assim a candidatura de Bolsonaro na disputa com Fernando Haddad (PT).

“CPI, JÁ! Revelação do empresário Marinho, suplente de Flávio Bolsonaro, é nitroglicerina! Diz ele q delegado/informante da PF, antecipou ao filho do presidente a Operação Furna da Onça q atingiu Fabrício Queiróz, operação adiada p não prejudicar campanha de Bolsonaro no 2º turno”, escreveu a líder no Twitter.

Segundo ela, o episódio deixou claro o real interesse de Bolsonaro em trocar comando da PF.

“A pergunta é: qual delegado da PF segurou investigação de Queiroz durante as eleições de 2018? Imprensa apurou que Ramagem era o delegado da operação que originou a ‘Furna da Onça’ atingindo gabinete de Flávio Bolsonaro”, indagou.

Para a líder, o foco de Bolsonaro é usar as estruturas oficiais e o poder que detém para blindar os crimes da sua família.

“A CPI se faz urgente para investigar os elos de tantas denúncias. Aliados deixados à beira da estrada por Bolsonaro, tem revelado muitos segredos, mas nada se apurou até aqui”, defendeu.

Com informações do Vermelho.

LEIA TAMBÉM
Coronavírus: Witzel demite secretário de Saúde do Rio após denúncias de fraudes

Brasil ultrapassou as 16 mil mortes por Coronavírus neste domingo 17/05

Bolsonaro sabota nossos esforços contra a pandemia, diz Flávio Dino

Queiroz foi avisado sobre operação da PF

A Polícia Federal (PF) antecipou ao senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) que seu ex-assessor Fabrício Queiroz seria alvo de uma operação. A informação foi dada pelo suplente do senador, o empresário Paulo Marinho (PSDB), à jornalista Mônica Bergamo, na Folha.

As revelações que Marinho diz ter ouvido do filho do presidente da República nesse encontro são bombásticas: segundo ele, Flávio disse que soube com antecedência que a Operação Furna da Onça, que atingiu Queiroz, seria deflagrada pela PF.

O então deputado Flávio foi avisado da existência da operação entre o primeiro e o segundo turnos das eleições, por um delegado da Polícia Federal que era simpatizante da candidatura de Jair Bolsonaro.

O empresário Paulo Marinho, 68, foi um dos mais importantes e próximos apoiadores de Jair Bolsonaro na campanha presidencial de 2018. Ele não apenas cedeu sua casa no Rio de Janeiro para a estrutura de campanha do então deputado federal, que ainda hoje chama de “capitão”, como foi candidato a suplente na chapa do filho dele, Flávio Bolsonaro, que concorria ao Senado. Os dois foram eleitos.

Em dezembro daquele ano, com Jair Bolsonaro já vitorioso e prestes a assumir o comando do país, Flávio procurou Paulo Marinho. Estava “absolutamente transtornado”, segundo o empresário. Buscava a indicação de um advogado criminal.

O escândalo de Fabrício Queiroz, funcionário de Flávio no seu gabinete de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio, não saía das manchetes. Havia acusações de “rachadinhas” e de desvio de dinheiro público. O senador recém-eleito temia as consequências para o futuro governo do pai —e precisava se defender.

Mais: os policiais teriam segurado a operação, então sigilosa, para que ela não ocorresse no meio do segundo turno, prejudicando assim a candidatura de Bolsonaro.

Essa revelação é prova cabal de que a PF virou uma “polícia política” –que atende à disputa de poder.

O delegado-informante teria aconselhado ainda Flávio a demitir Fabrício Queiroz e a filha dele, que trabalhava no gabinete de deputado federal de Jair Bolsonaro em Brasília.

Os dois, de fato, foram exonerados naquele período —mais precisamente, no dia 15 de outubro de 2018.

Queiroz estava sumido em dezembro. Mas, segundo Marinho, o senador Flávio Bolsonaro mantinha interlocução indireta com ele por meio de um advogado de seu gabinete.

Nesta entrevista, Marinho, que é pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro pelo PSDB, começa falando da cidade que pretende governar, dos planos para a campanha presidencial de João Doria em 2022 —e por fim detalha os encontros com Flávio Bolsonaro.

Segundo ele, as conversas podem “explicar” o interesse de Bolsonaro em controlar a Superintendência da Polícia Federal no Rio, causa primeira dos atritos que culminaram na saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça.