Palestra de Sérgio Moro é suspensa em Faculdade de Direito, após protestos na Argentina

O ex-ministro Sérgio Moro teve uma palestra suspensa, na Argentina, após fortes manifestações contrárias na Faculdade de Direito da UBA (Universidade de Buenos Aires).

O colóquio com o ex-ministro de Jair Bolsonaro iria acontecer no próximo dia 10 de junho, na capital argentina, cujo tema seria “Combate à corrupção, democracia e Estado de Direito”.

A ministra da ministra da Mulher, Gênero e Diversidade, Elizabeth Gómez Alcorta, do governo Alberto Fernández, liderou os protestos contra a palestra de Moro.

“Compartilho o repúdio a esta atividade, em uma faculdade pública na qual se deve formar para a defesa do Estado de direito e das garantias constitucionais”, escreveu no Twitter a ministra argentina.

Dentre os argumentos que fizeram a organização desistir do evento estão o de que Sérgio Moro era o arquiteto e executor da perseguição judicial contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no âmbito da Lava Jato, em virtude da qual o petista não pôde se candidatar à eleição de 2018.

De acordo com o jornal argentino Página 12, os idealizados do abaixo-assinado contra a palestra afirmaram que Moro demonstrou “sua absoluta parcialidade em relação a quem ele havia tentado anteriormente” e por ter participado no governo de extrema direita. “Ele [governo Bolsonaro] é reconhecido por violar e atacar os direitos das minorias étnicas, sexuais, religiosas, os direitos das mulheres e por promover o ódio e a discriminação como uma ferramenta política”.

E acrescentaram que “Moro é um símbolo da pior face do Poder Judiciário nas nações latino-americanas, sendo uma roda dentada fundamental na ‘Lei’, ou guerra judicial contra líderes políticos da região”, pelo que rejeita “sua presença em qualquer atividade organizada” por qualquer universidade e “solicitamos à Faculdade de Direito que analise a atividade”.

Sérgio Moro era ministro da Justiça de Bolsonaro desde a posse do presidente ultraconservador, em 1º de janeiro de 2019, e deixou seu cargo no dia 24 de abril. Ele deixou seu posto denunciando que Bolsonaro estava tentando interferir na Polícia Federal, que está investigando dois de seus filhos.

A suspensão da palestra de Sérgio Moro, na Argentina, é principal derrota ex-juiz e ex-ministro após deixar o governo Bolsonaro.

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Carla Zambelli diz que Moro não se vendeu pois “já estava vendido”

A deputada Carla Zambelli (PSL-SP), afilhada de casamento do ex-juiz Sérgio Moro, está em rota de colisão com o padrinho.

Moro elogiou a operação de busca e apreensão da Polícia Federal realizada hoje, assim como a apuração dos desvios na saúde do Rio de Janeiro em operação de ontem, terça-feira (26). O ex-ministro escreveu:

“A Polícia Federal tem que trabalhar com autonomia.Que sejam apurados os supostos crimes no RJ e também identificados os autores da rede de fake news e de ofensas em massa. Diante das denúncias de interferência na PF, o Min.Alexandre manteve os delegados que estavam na investigação.”

“Prezado, vc acha justo o que estão fazendo com cidadãos comuns? Com jornalistas? Esse era você o tempo todo? Meu Deus, como pode alguém se esconder por tanto tempo e tão bem? Liberdade, democracia…. nada disso vale pra você? Você não estava à venda, pq JÁ ESTAVA VENDIDO.”

Confira a print do tuíte:

A deputada tem razão. Sérgio Moro fez parte do governo Bolsonaro desde antes da vitória no segundo turno em 2018. Tempo demais para se diferenciar do modus operandi bolsonarista.