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Sandro falta, Moro ganha argumento para evitar debates

A ausência de Sandro Alex (PSD) no debate da TMC Paraná, realizado na quarta-feira, 26 de agosto, na Universidade Positivo, produziu uma consequência política que vai além do esvaziamento do encontro: o senador Sergio Moro (PL), que já havia faltado ao debate da Band Paraná, deixou de ser o único dos três principais candidatos ao governo estadual a carregar o desgaste da ausência em confrontos públicos.

Moro havia desistido do debate da Band, em 9 de agosto, alegando que o encontro seria um “jogo combinado” entre Requião Filho (PDT) e Sandro Alex para atacá-lo. Na ocasião, Sandro criticou a decisão e defendeu a presença dos três candidatos.

Na TMC, porém, a história mudou. Moro comunicou a desistência às 15h51, pouco mais de quatro horas antes do início do evento. Sandro Alex fez o mesmo às 17h47, duas horas e 15 minutos antes da abertura. As duas campanhas haviam participado da reunião preparatória, concordado com as regras e recebido as credenciais.

O resultado foi uma sabatina de aproximadamente uma hora com Requião Filho, que decidiu comparecer mesmo sem os dois adversários. O regulamento previa exatamente essa solução quando dois dos três convidados desistissem.

A primeira consequência política é evidente: o argumento de que apenas Moro estaria evitando o confronto perdeu força.

O rótulo de “fujão” foi pulverizado

Durante quase toda a primeira fase da campanha, Moro foi transformado pelos adversários em personagem recorrente dos debates dos quais não participou.

Na Band, Sandro Alex atacou diretamente a ausência do senador. Requião Filho também explorou politicamente a decisão. A própria cobertura daquele debate registrou que a ausência de Moro dominou parte das discussões entre os dois candidatos presentes.

Na TMC, Sandro acabou entrando no mesmo problema.

É claro que as circunstâncias políticas e as justificativas de cada campanha podem ser diferentes. Moro alegou que não queria participar de um confronto que considerava previamente combinado. Sandro, por sua vez, afirmou após desistir que não tinha medo de debate e que estava preparado para os próximos encontros com a participação dos candidatos para os quais o formato havia sido originalmente construído.

Mas, para o eleitor que acompanha a campanha pela imagem pública, existe uma consequência simples: os dois principais nomes do campo da direita que estavam convidados para a TMC não compareceram.

Isso enfraquece a exclusividade do carimbo político aplicado a Moro.

A partir de agora, se o senador faltar a outro debate, Sandro Alex poderá ser usado como contraexemplo pela própria campanha de Moro. E, se Sandro não comparecer a outro encontro, Moro terá o mesmo argumento à disposição.

O debate deixa de ser apenas uma questão de quem faltou e passa a ser uma disputa sobre quem consegue justificar melhor a ausência.

Moro ganhou um argumento para o próximo debate

O próximo confronto previsto para os candidatos ao Governo do Paraná é o da RIC TV, afiliada da Record, marcado para 21 de setembro. Depois, está programado o debate da RPC, afiliada da TV Globo, em 29 de setembro.

A ausência de Sandro na TMC, portanto, abre uma possibilidade política concreta para Moro.

Caso o senador decida não comparecer novamente, poderá argumentar que não é mais possível atribuir exclusivamente a ele a decisão de evitar determinados confrontos. Sandro Alex também havia confirmado participação, participado da preparação e desistido horas antes do evento.

Isso não significa que Moro necessariamente faltará aos próximos debates. Também não permite afirmar que a ausência de Sandro tenha sido planejada para beneficiar o adversário.

O que existe é um novo argumento disponível no jogo eleitoral.

E campanha eleitoral é também disputa de narrativa.

A pergunta que ninguém consegue responder ainda: isso dá voto?

É aqui que termina o fato e começa a especulação dos marqueteiros.

Requião Filho foi o único dos três candidatos convidados a comparecer à Universidade Positivo. Ganhou, portanto, uma hora de exposição praticamente exclusiva para apresentar propostas, responder perguntas e criticar os adversários ausentes.

A TMC registrou propostas do pedetista sobre economia, Copel, saúde e segurança durante a sabatina.

O ganho eleitoral, entretanto, não pode ser medido ainda.

Não há pesquisa que permita afirmar que Requião Filho converteu a exposição em votos. Também não há dado que permita concluir que Moro ou Sandro perderam votos pela ausência.

É possível que a cadeira vazia produza algum efeito. É possível que não produza nenhum.

Essa é uma diferença importante entre análise eleitoral e propaganda eleitoral.

Os chamados “luas pretas” das campanhas podem produzir explicações para todos os resultados. O eleitor, porém, é quem transforma ou não uma imagem televisiva em voto.

As pesquisas colocam outra variável na mesa

A ausência nos debates ocorre em uma eleição na qual Moro continua aparecendo à frente nas pesquisas recentes.

A pesquisa Quaest contratada pela RPC, realizada entre 20 e 23 de agosto com 804 eleitores, mostrou Moro com 37%, Requião Filho com 21% e Sandro Alex com 15% no cenário estimulado de primeiro turno. A margem de erro é de três pontos percentuais.

No segundo turno, Moro aparece com 51% contra 27% de Requião Filho e 48% contra 19% de Sandro Alex.

Isso explica por que a discussão sobre os debates tem peso diferente para cada candidatura.

Quem lidera pode avaliar que o confronto representa mais risco do que oportunidade. Quem está atrás precisa transformar cada espaço disponível em possibilidade de crescimento.

Mas essa é uma hipótese estratégica, não uma explicação comprovada para as decisões das campanhas.

Moro já declarou publicamente que pretende vencer no primeiro turno. Sandro Alex, por sua vez, tem sido apresentado pelo grupo político ligado ao governador Ratinho Junior como o candidato capaz de manter o projeto governista no Palácio Iguaçu.

A disputa, portanto, está colocada também entre duas apostas diferentes: a liderança de Moro nas pesquisas e a estrutura política do grupo de Ratinho Junior.

O paradoxo de Sandro

A ausência de Sandro Alex tem um componente adicional.

Na Band, ele criticou Moro por não comparecer. Na TMC, acabou tomando a mesma decisão de não participar do confronto que havia sido previamente confirmado.

Não se trata de dizer que as duas decisões tiveram exatamente a mesma motivação.

Trata-se de observar a consequência política.

Sandro retirou de Moro uma das armas retóricas que seus adversários vinham usando contra ele.

Se Moro era acusado de ser o candidato que não queria enfrentar os rivais, agora o eleitor tem uma fotografia diferente: dois dos três nomes convidados para o debate da TMC não apareceram.

Requião Filho ficou sozinho.

Requião ganhou palco, mas não necessariamente votos

O pedetista foi o único que cumpriu o compromisso assumido para o encontro.

Isso lhe garantiu uma vantagem de exposição. Não há, contudo, evidência disponível para afirmar que essa vantagem será convertida automaticamente em votos.

A própria pesquisa Quaest mostra Requião Filho em segundo lugar, com 21%, mas ainda distante de Moro, que tem 37%. Sandro aparece com 15%.

O desafio de Requião é transformar a imagem de candidato disposto ao confronto em crescimento efetivo nas urnas.

A sabatina ajuda a construir essa narrativa. Não resolve a eleição.

Cinco candidatos continuam fora desse circuito

Existe ainda uma questão estrutural nessa eleição.

O Paraná tem oito candidaturas ao Governo do Estado, mas os debates das grandes emissoras não necessariamente reúnem todos os concorrentes. Os critérios de representatividade previstos na legislação eleitoral permitem que as emissoras organizem os encontros considerando a representação partidária no Congresso Nacional.

No caso da TMC, o encontro foi construído inicialmente para Moro, Sandro Alex e Requião Filho justamente por esse critério.

Com isso, cinco candidatos que não integram esse grupo ficam fora dos principais debates televisivos: Luiz França (Missão), Alexandre Salomão (Mobiliza), Samuel de Mattos (PSTU), Tayná Miessa (UP) e Adriano Funileiro (PCO).

Há aí uma contradição eleitoral que merece atenção.

Os candidatos com menor representação parlamentar têm menos acesso aos debates e ao horário eleitoral, justamente quando precisam de maior exposição para se tornar conhecidos.

Enquanto isso, os três candidatos com maior estrutura política, presença parlamentar e acesso aos grandes confrontos passaram a disputar até mesmo quem comparece aos debates.

Uma eleição sem debate completo?

O calendário ainda prevê confrontos na RIC TV e na RPC. Portanto, não é possível afirmar que o Paraná ficará sem um debate completo.

Mas a sequência inicial já criou um problema político.

O primeiro debate da Band teve Moro ausente.

O segundo encontro, da TMC, deveria reunir Moro, Sandro e Requião Filho, mas terminou com apenas Requião.

Se novas desistências ocorrerem, o eleitor poderá chegar à reta final da campanha sem ter visto os três principais candidatos frente a frente em um mesmo palco.

Isso seria particularmente relevante porque a eleição estadual está concentrada, até aqui, em uma disputa entre três nomes, enquanto os demais candidatos permanecem com menor exposição pública.

O problema não é apenas televisivo.

Debate é uma das poucas situações em que o eleitor consegue observar simultaneamente proposta, resposta, contradição e capacidade de improviso.

Quando o confronto não acontece, parte dessa avaliação desaparece.

A ironia nacional

Há ainda uma ironia no cenário de 2026.

No plano nacional, Lula e Flávio Bolsonaro também estão no centro de uma disputa polarizada em que a presença nos debates passou a ser objeto de cálculo político.

A lógica é conhecida: um candidato pode alegar que não comparece porque o formato não é adequado, enquanto seu adversário pode usar a ausência como argumento político.

No Paraná, a situação ganhou uma versão própria.

Moro faltou a um debate e foi chamado de fujão.

Sandro faltou ao encontro seguinte e passou a dividir com ele o problema.

Agora, qualquer nova ausência de um dos dois poderá ser imediatamente comparada à ausência do outro.

É o efeito mais concreto produzido pela cadeira vazia da Universidade Positivo.

A ausência de Sandro Alex não absolve Sergio Moro das faltas anteriores. Também não condena Sandro politicamente por uma única desistência.

Mas muda a régua da campanha.

A partir de quarta-feira, não é mais tão simples dizer que existe apenas um candidato que foge dos debates.

Existem dois candidatos que já faltaram a um confronto para o qual estavam confirmados.

Se isso dará voto a Requião Filho, tirará voto de Moro ou Sandro ou simplesmente será esquecido pelo eleitor, a resposta virá apenas nas próximas pesquisas e, no fim, nas urnas.

Por enquanto, uma coisa é verificável: o debate que deveria colocar três candidatos frente a frente terminou colocando dois ausentes na mesma fotografia.

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