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Lula e Flávio empatam no 2º turno, aponta PoderData

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 45% e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 44% em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026, segundo a nova pesquisa PoderData/Aya, realizada de 23 a 26 de agosto. A diferença de um ponto percentual configura empate técnico e coloca a polarização entre os dois no centro da disputa logo na primeira semana oficial de campanha.

O dado mais relevante do levantamento, porém, está além do placar apertado. Lula e Flávio aparecem com 49% de rejeição cada um, indicando que praticamente metade do eleitorado afirma não votar em nenhum dos dois de jeito nenhum.

No primeiro turno, Lula registra 38% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 35%. A vantagem de três pontos para o petista diminui para apenas um ponto quando os dois são colocados frente a frente na segunda etapa.

A combinação dos números produz uma fotografia eleitoral distinta daquela observada em levantamentos anteriores: Lula ainda lidera numericamente o primeiro turno, mas a vantagem praticamente desaparece quando a disputa fica restrita aos dois principais polos políticos.

A pesquisa anterior do PoderData/Aya, realizada de 9 a 12 de agosto, havia mostrado Lula com 41% contra 35% de Flávio no primeiro turno. No segundo turno, o petista tinha 46%, ante 45% do senador.

O movimento, portanto, é de aproximação de Flávio no cenário de segundo turno e de redução da vantagem de Lula no primeiro. O levantamento anterior também já apontava empate técnico entre os dois na segunda etapa.

Rejeição vira peça central

A taxa de rejeição de 49% para Lula e Flávio é especialmente relevante porque limita o espaço disponível para crescimento de ambos.

Em levantamento anterior do próprio PoderData/Aya, realizado entre 26 e 29 de julho, os dois também apareciam com 49% de rejeição. Na ocasião, 36% diziam que Lula era o único candidato em quem votariam, enquanto 31% apontavam Flávio como única opção. Outros 11% afirmavam que poderiam votar em Lula e 14% diziam o mesmo sobre Flávio.

Isso deixa uma parte decisiva do eleitorado fora das bases mais consolidadas dos dois candidatos.

O eleitor que rejeita Lula e Flávio, além daquele que ainda não decidiu o voto, passa a ganhar peso estratégico conforme a campanha avança. Para os dois campos, ampliar a votação não depende apenas de mobilizar os eleitores já identificados com seus respectivos projetos, mas também de reduzir resistências e conquistar votos fora das bases tradicionais.

A própria pesquisa anterior do PoderData havia apontado que a rejeição aos candidatos é o principal critério para a escolha do voto de 16% dos brasileiros.

Polarização se consolida

O resultado reforça uma tendência que vem aparecendo em diferentes pesquisas recentes: Lula e Flávio Bolsonaro se consolidam como os dois nomes mais competitivos para uma eventual disputa de segundo turno.

No levantamento BTG/Nexus divulgado na segunda-feira, 24 de agosto, Lula aparecia com 46% contra 45% de Flávio em um eventual segundo turno. No primeiro turno, o placar era de 41% a 37% para o petista.

O Datafolha, por sua vez, havia encontrado cenário mais favorável a Lula: 47% contra 43% de Flávio no segundo turno e 39% a 33% no primeiro.

A sequência de levantamentos mostra, portanto, uma disputa ainda aberta entre os dois principais polos. Os números variam conforme instituto, período de entrevistas e metodologia, mas a presença de Flávio como principal adversário de Lula aparece de forma recorrente.

O voto que ainda não está decidido

O principal efeito político da nova fotografia está no tamanho do eleitorado que não se encontra definitivamente fechado com nenhum dos dois polos.

Com Lula e Flávio empatados tecnicamente no segundo turno e ambos carregando rejeição de 49%, a eleição pode ser decidida pela capacidade de cada campanha de atrair eleitores que hoje estão fora de suas bases.

Esse segmento inclui tanto eleitores que ainda não escolheram candidato quanto aqueles que manifestam resistência aos dois nomes.

É justamente nesse espaço que a campanha tende a concentrar uma parcela importante da disputa política. O segundo turno não será apenas uma comparação entre Lula e Flávio, mas uma batalha pelo eleitor que, neste momento, não demonstra disposição suficiente para entregar seu voto a nenhum dos dois.

A pesquisa também reforça uma diferença importante entre os dois momentos da eleição. No primeiro turno, Lula mantém vantagem de três pontos. No segundo, a diferença cai para um ponto.

Isso significa que a vantagem numérica de Lula na largada não se transforma automaticamente em vantagem confortável no confronto direto.

Nova fotografia na largada da campanha

O levantamento foi realizado entre 23 e 26 de agosto, já na primeira semana da campanha eleitoral, período em que candidatos começaram a ampliar a exposição pública e a disputa passou a incorporar propaganda, debates, eventos de rua e comunicação eleitoral mais intensa.

Por isso, os números funcionam como uma fotografia inicial desse novo estágio da eleição, e não como previsão do resultado de outubro.

As pesquisas eleitorais medem intenções de voto no momento da coleta e podem mudar conforme fatos políticos, desempenho dos candidatos, propaganda eleitoral e evolução da campanha.

O dado que merece atenção, neste momento, é a combinação entre 38% de Lula e 35% de Flávio no primeiro turno, 45% a 44% no segundo e 49% de rejeição para cada um.

A eleição presidencial começa, assim, com dois candidatos concentrando a maior parte da força eleitoral, mas também dividindo uma rejeição elevada. Para ambos, o desafio não é apenas manter a própria base. É encontrar uma saída para o eleitor que rejeita os dois.

A nova pesquisa confirma que a polarização chegou à campanha com Lula na frente no primeiro turno, mas sem vantagem estatística no confronto direto com Flávio Bolsonaro.

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