É só uma gripezinha, Bolsonaro?

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teve ontem uma crise de tosse, em frente ao Palácio do Planalto, durante ato pela intervenção militar e contra a democracia.

Bolsonaro disse nesta segunda-feira (20) espera que esta seja a “última semana dessa quarentena” e repetiu que, inevitavelmente, “70% da população vai ser contaminada” durante a pandemia do coronavírus.

O presidente falou hoje pela manhã em frente ao Palácio da Alvorada. Ele quer o fim das medidas de isolamento social e a reabertura total do comércio e serviços em todo o País.

“O confinamento amplia o acirramento das tensões de um relacionamento abusivo e reduz as condições da mulher de conseguir ajuda”, argumentou.

“Eu espero que essa seja a última semana dessa quarentena. Dessa maneira de combater o vírus: todo mundo em casa. A massa não tem como ficar em casa porque a geladeira está vazia.”

É aí que o Estado deveria atuar, senhor presidente. O Orçamento da União, ao invés de ser drenado para os banqueiros e especuladores, a título de pagamento de juros e amortizações de dívida interna, deveria ser destinado ao financiamento da quarentena de trabalhadores e empresas.

“Há algum tempo atrás, algum ministro meu queria que eu colaborasse em um decreto para multar quem está na rua. Eu falei: não. Não. Quem vai para a rua está atrás de emprego, ganhar um pão e levar um prato de comida para o filho em casa.”

Para Bolsonaro, o coronavírus é apenas uma gripezinha que já matou 2.507 pessoas no Brasil e infectou quase 40 mil –após um mês da pandemia declarada pela OMS.

Bolsonaro agora diz que é contra fechar o STF e o Congresso: “Aqui é democracia”
O presidente Bolsonaro resolveu aliviar as tensões e tentou passar a impressão de que foi mal compreendido ao participar da manifestação por intervenção militar neste domingo.

Numa longa fala aos seus apoiadores e aos jornalistas presentes na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro fez uma espécie de prestação de contas de seu mandato e tentou acalmar os nervos e baixar a tensão que se acumulou nos últimos dias.

Leia o que disse Bolsonaro:

“No dia de ontem, dia do Exército Brasileiro, o povo nas ruas em grande parte pedindo a volta ao trabalho. Desde que começou esse problema, há mais de um mês, eu venho falando que deveríamos tratar desses dois problemas simultaneamente. O vírus e o desemprego.

A situação econômica do Brasil está se agravando, cada ponto percentual de decrescimento, cada ponto de desemprego, as consequências são a violência, o caos, mortes, fome… Então, tudo que é feito com excesso, acaba tendo problemas.

Essas medidas restritivas, em alguns estados, vocês vão falar que eu tô criticando todos os governadores, pode continuar falando mentira a vontade… Em alguns estados foram excessivas.

Aproximadamente 70% da população vai ser infectada, não adianta querer correr disso, é uma verdade. Estão com medo da verdade. A Folha de São Paulo colocou a manchete que nós não queremos negociar, mas não colocou o que eu disse depois.

O pessoal geralmente conspira para chegar ao poder, eu já estou no poder, eu sou o presidente da República. Então, eu tô conspirando contra quem?

Falta um pouco de inteligência para aqueles que me acusam de ser ditatorial. O que eu tomei de providência contra a imprensa? Contra a liberdade de expressão?

Eu inclusive sou contra as prisões, as iniciativas que estão ocorrendo pelo Brasil. Prendendo mulher de biquini na pria no Recreio, prendendo mulher em Araçatuba…

Eu sou realmente a Constituição. E mais, eu tenho conduzido o Brasil, orientado e fiel aos interesses do povo brasileiro. Nada que eu faça que não esteja de acordo com eles.

Onde é que eu estou errando?

O meu time não trabalha de madrugada, trabalha a luz do dia. Todos as pessoas escolhidas com critérios. Alguns que desviam dos critérios, a caneta vai funcionar.

Se tiver que demitir qualquer ministro, demito. Não estou ameaçando, não tem ameaça de minha parte. Quem for se desviar daquilo que eu prometi na campanha, lamentavelmente tá no barco errado, vá pra outro barco.”

Um apoiador falou em fechar o Supremo e o Congresso, mas Bolsonaro reagiu.

“Esquece essa conversa, aqui não tem que fechar nada. Aqui é democracia! Aqui é respeito à Constituição. Supremo aberto e transparente, Congresso aberto e transparente.”

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Lula, Gleisi e Haddad dizem que chegou a hora do “Fora, Bolsonaro!”

Depois da participação do presidente Bolsonaro do ato que pedia intervenção militar contra o Congresso e o STF, a cúpula do Partido dos Trabalhadores parece ter se convencido que é preciso se posicionar de maneira firme pelo “Fora, Bolsonaro!”.

Pelo Twitter, o ex-ministro Fernando Haddad declarou:

“O verme, mais uma vez, diz a que veio. Até quando os democratas suportarão tanta provocação, sem nada fazer? O dia do fora já chegou!”

A presidente nacional do PT respondeu:

“Eu também acho @Haddad_Fernando, chegou a hora do fora Bolsonaro! O PT continuará esse debate em suas instâncias e não faltará ao país.”

Lula defende impedimento de Bolsonaro para barrar volta da ditadura
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu, neste domingo (19), nas redes sociais defendendo a adoção dos mecanismos democráticos para impedir o golpismo de Jair Bolsonaro. O chefe do executivo participou de ato em Brasília que pedia o AI-5, o fechamento do Congresso e do STF.

“A mesma Constituição que permite que um presidente seja eleito democraticamente têm mecanismos para impedir que ele conduza o país ao esfacelamento da democracia e a um genocídio da população”, apontou Lula no Twitter.

PSOL pede saída imediata de Bolsonaro
O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) divulgou nota de repúdio neste domingo (19) condenando a participação de Bolsonaro nos atos a favor de um golpe com um novo AI-5 e o fechamento do Congresso e do STF.

A nota assinada pelo presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, pede a saída imediata de Bolsonaro do poder. “É preciso que Bolsonaro deixe o poder imediatamente, pelos meios constitucionais disponíveis, para que o Brasil não siga sob as ameaças de um genocida”, diz um trecho do documento. Leia a íntegra aqui.

Será que a oposição consegue se unir para tentar remover o “Capitão Corona” da presidência?

PGR pede que Supremo investigue atos pela ‘intervenção militar’
O procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (20), a abertura de um inquérito para investigar a organização de atos contra a democracia, incluindo deputados federais, o que justifica a competência do STF.

A investigação refere-se a atos realizados em todo o país, neste domingo (19), em que participantes pediram o fechamento de instituições democráticas, como o Congresso Nacional e o STF.

Aras, no entanto, não cita o fato do presidente Bolsonaro ter participado e discursado no ato realizado em Brasília. Mas nada impede que o STF use o inquérito para processar Bolsonaro.

O inquérito visa apurar possível violação da Lei de Segurança Nacional (7.170/1983). Uma das pautas de parte dos manifestantes era a reedição do AI-5, o ato institucional que endureceu o regime militar no país.

“O Estado brasileiro admite única ideologia que é a do regime da democracia participativa. Qualquer atentado à democracia afronta a Constituição e a Lei de Segurança Nacional”, afirmou o procurador-geral, Augusto Aras.

O presidente Jair Bolsonaro intensificou a escalada contra a democracia neste domingo (19) ao participar de uma manifestação de caráter golpista em frente ao Quartel Geral do Exército em Brasília. O chefe do executivo engrossou o coro dos manifestantes que pediam um golpe militar, um novo AI-5, o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).