Estagiárias da Lava Jato apontaram ilegalidade de Sérgio Moro

Publicado em 24 novembro, 2019
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Quando há erros materiais numa sentença, geralmente, a culpa recai injustamente sobre os ombros de estagiários. Prova disso é que o ex-juiz Sérgio Moro foi advertido pelas estagiárias da força-tarefa Lava Jato das ilegalidades em sua decisão de levantar sigilo nos grampos telefônicos do ex-presidente Lula e da então presidenta Dilma Rousseff.

De acordo com conversas divulgadas pela Vaza Jato, neste domingo (24), o procurador Paulo Roberto Galvão afirmou em março de 2016 que o levantamento de sigilo não era sempre igual no âmbito da força-tarefa. A informação foi encaminhada via Telegram à procuradora Anna Carolina Resende, assessora do então PGR Rodrigo Janot.

O levantamento das estagiárias ocorreu dois dias após o levantamento do sigilo das investigações da Lava Jato sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porém, ao ministro Teori Zavaski, morto em janeiro de 2017, Moro pediu desculpas ao magistrado do STF e jurou que não tinha a intenção de provocar polêmicas desnecessárias.

“Essa artimanha foi decisiva para impeachment de Dilma, mudou curso da história e afetou de forma brutal a democracia brasileira. Abriu caminho para o golpe de 2016 e a eleição de quem agora é chefe de Moro e promove o maior desmonte do Estado”, reagiu a deputada Gleisi Hoffmann (PR), presidenta nacional do PT.

As estagiárias da Lava Jato identificaram à PGR que a sacanagem de Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallagnol era somente com Lula e o PT.

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Segundo Gleisi Hoffmann, à luz do Intercept e da Folha, a divulgação de gravações só foi feita no caso de Lula. “Diálogos mostram que a mentira preocupou seus colegas promotores”, disse a petista, se referindo aos demais membros da força-tarefa que viam um ‘ponto fora da curva’ na decisão de Moro contra o ex-presidente.

As duas estagiárias da força-tarefa apontaram que Moro só classificou com nível zero de sigilo, além do caso de Lula, a interceptação que teve como alvos Renato Duque e um grupo de empreiteiros presos em novembro de 2014. Mas nenhum áudio foi anexado, e a Polícia Federal levou três meses para apresentar relatório sobre a escuta.

Ao ser questionado pelo levantamento de sigilo no caso Lula, Deltan Dallagnol minimizou a situação dizendo que “a questão jurídica é filigrana dentro do contexto maior que é político”.

No juridiquês, a palavra ‘filigrana’ significa falácia, detalhe insignificante, coisa pequena ou irrelevante, etc.

Portanto, o Blog do Esmael rende as homenagens às estagiárias e estagiários do Brasil!

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