Por Esmael Morais

Globo usa programa Fantástico para defender Moro

Publicado em 16/06/2019

O programa Fantástico, da Globo, insistiu na noite deste domingo (16) na tese de invasão de hackers para defender o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e integrantes da força-tarefa Lava Jato, denunciados por reportagens do site The Intercept Brasil.

Ao longo da semana passada, o Intercept divulgou conversas secretas entre o ex-juiz Moro e membros do Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR). Segundo esses diálogos publicados pelo site, as duas partes –julgador e acusador– agiam em conluio para impossibilitar a defesa do acusado.

Na última sexta-feira (14), por exemplo, o Intercept revelou ao País que Moro, após depoimento de Lula no caso tríplex, ordenou a procuradores do MPF-PR que divulgassem nota à imprensa para desmontar o ‘showzinho da defesa’ do ex-presidente da República.

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O sistema penal acusatório previsto na Constituição Federal proíbe veementemente que o julgador atue para enfraquecer a defesa reforçando a acusação. A falta de imparcialidade do julgador causa nulidade absoluta da sentença.

Portando-se como advogada de defesa de Moro e do procurador Deltan Dallagnol, a Globo tentou desacreditar as reportagens do site fundado pelo premiadíssimo jornalista Glenn Greenwald. A emissora até colocou no ar um perito para vender sua versão de que “é possível” um hacker invadir um celular e modificar as mensagens no Telegram –aplicativo russo– e que o WhatsApp é uma “fortaleza” de segurança cibernética.

A matéria do Fantástico desta noite também pode ser interpretada como “vacina” preventiva para as próximas reportagens do Intercept. Nos bastidores são esperadas revelações da participação da Globo no conluio com a Lava Jato.

“Toda a mídia brasileira e internacional (exceto uma): revelações chocantes sobre o comportamento impróprio do ministro da Justiça Moro e da força-tarefa Lava Jato: explicamos o que os documentos mostram. Globo: HACKERS !!!!”, criticou na quinta-feira (13) Glenn Greenwald.

É show de horrores, mas essencial. Quanto mais luz, melhor para a democracia no Brasil.