Crise no Grupo RPC/Gazeta do Povo leva ao fechamento da à“TV

do Brasil 247
gazeta_otv.jpgCerca de 80 funcionários da à“TV, da empresa do GRPCom, o maior grupo de comunicação do Paraná, foram demitidos e informados que a emissora foi desativada, neste domingo (14).

Outro veículo que integra do GRPCom, o jornal de maior circulação no Paraná, Gazeta do Povo publicou duas atas em suas páginas, na última quinta-feira (11), informando o seu aumento de capital de R$ 500 mil para R$ 49,4 milhões.

No entanto, deste total, R$ 48,9 milhões servirão para a absorção de prejuízos acumulados! !“ ficando o capital da empresa no montante de pouco mais de R$ 1,5 milhão.

Enquanto o Grupo RPC/Gazeta agoniza, o Blog do Esmael “bomba” nas redes sociais. Hoje é considerado uma das principais páginas especializadas em política do país. Bate recorde em cima de recorde de acesso e visualizações.

A seguir, leia o obituário escrito pelo publicitário JJ (João José Werzbitzki):

O fim da à“TV e o prejuízo da Gazeta do Povo

Ontem, cerca de 80 funcionários da à“TV, empresa do GRPCom (maior grupo de comunicação do Paraná), foram demitidos e informados que a emissora será desativada. Criada para ser a emissora de Curitiba! e formadora de novos profissionais para a TV, a à“TV sai do ar no próximo sábado (apesar a qualidade de sua programação), o que é lamentável.

Ontem, também, o jornal Gazeta do Povo (o de maior circulação no Paraná, segundo o IVC, e também integrante do GRPCom) publicou duas atas em suas páginas, informando o seu aumento de capital de R$500 mil para R$49,4 milhões, sendo que deste total R$48,9 milhões servirão para a absorção de prejuízos acumulados! !“ ficando o capital da empresa no montante de pouco mais de R$1,5 milhões.

O GRPcom é dono dos dois maiores jornais de Curitiba !“ Gazeta do Povo e Tribuna -, assim como do Jornal de Londrina, das rádios 98FM e Mundo Livre FM, da HDView e da RPC TV (com emissoras de TV, afiliadas à  Globo, em Curitiba, Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Cascavel, Fpz do Iguaçu, Guarapuava e Paranavaí).

Desconheço as causas do grande prejuízo da Gazeta, mas me parece que a perda de leitores do jornal impresso, que teve por consequência a redução do volume de anúncios, deve ser uma das causas.

Comentei várias vezes, com diretores e funcionários da Gazeta, que o jornal online não poderia jamais reproduzir de graça tudo que está no jornal impresso !“ a não ser para assinantes.

Também comentei que colocar os classificados gratuitamente no online acabaria com as vendas em banca, especialmente nos domingos. E comentei antes do fato consumado. Atualmente a venda em banca é pequena e a circulação e número de assinantes caem mês após mês. O que preocupa muito aos anunciantes.

à‰ uma pena que os problema da Gazeta do Povo (que foi minha cliente por 13 anos, quando ainda nem tinha um departamento de marketing, e anos mais tarde com a contratação ao Laerte Ferraz, que é competente no assunto) gerem o desemprego de mais e mais jornalistas e fotógrafos, quando o problema !“ me parece claro !“ está na ineficiência dos departamentos comercial e do marketing.

Sei que os tempos são outros (quando eu atendia o jornal, a internet engatinhava neste meio), mas não são poucos os anunciantes que reclamam do atendimento do jornal e de seus preços (que não se reduziram na proporção em que a circulação se reduziu).

O problema é sério e só se solucionará com o aumento da circulação do jornal impresso, pois o digital só acumula prejuízos (em jornais do mundo todo, menos o Los Angeles Times, onde o digital para as contas do impresso).

Reconquistando leitores de verdade (sem somar à  realidade do impresso os leitores da web, que raramente veem os anúncios), a Gazeta reconquistará os anunciantes, com credibilidade auditada e um programa profissional de relações públicas para tornar o jornal mais simpático para este target dos anunciantes e agências.

Torço, de coração, para que os donos da Gazeta do Povo percebam que é legal investir no digital, mas, hoje em dia, o que pode gerar lucros é o jornal impresso, com circulações mais expressivas em todos os dias da semana, de um jornal muito, mas muito conectado com a realidade local e que valorize os leitores, as empresas, os profissionais, as artes e a cultura do Paraná.

E lamento que a corda tenha sido roída na menor e talvez mais promissora empresa do GRPCom (tirando a RPC TV, que a Globo carrega com facilidade), que foi a à“TV, que formou vários profissionais de qualidade para a TV, nos poucos meses que teve de vida e que não devia ter um custo assustador para empresários do porte dos três principais acionistas do GRPCom.

Quem paga as contas e dá lucro a um jornal são os seus anunciantes e seus leitores. Não se pode ignorar esta realidade.

JJ

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