Por Esmael Morais

Artigo de Marcos Coimbra: “Quadro Previsível”

Publicado em 03/09/2012

São três casos de prefeitos que investiram pesadamente na propaganda de suas administrações ao longo do mandato. Não têm novidades a informar aos eleitores, mas fazem agora, usando a imensa mídia gratuita!, uma personalização dos resultados de suas gestões.

As obras e programas que o cidadão conhecia como sendo da prefeitura são reapresentadas como de autoria do prefeito. Tudo de bom que aconteceu na cidade é mostrado como resultado de sua ação pessoal (e tudo de mau é suprimido).

Talvez nem todos vençam, mas isso ajuda a explicar sua performance.

2 – O declínio dos partidos de oposição: Considerando o melancólico desempenho de Serra – que parece que sequer estará no segundo turno, para o qual são favoritos Celso Russomano (PRB) e Fernando Haddad (PT) -, os principais partidos de oposição só têm candidatos próprios bem posicionados em poucas cidades.

Desses, apenas ACM Neto (DEM), em Salvador, é considerado competitivo. Moroni Torgan, seu correligionário que disputa a eleição em Fortaleza, dá sinais de que, em breve, será ultrapassado por Elmano de Freitas (PT) e Roberto Cláudio (PSB).

Se o quadro atual se confirmar, seria possível dizer que o PSDB terminará vencendo em Belo Horizonte e Curitiba, pois tanto Aécio e Anastasia, quanto Beto Richa, apóiam os líderes.

Pode ser verdade no curto prazo e, para Aécio, será ainda mais relevante, face à  derrocada de Serra. Mas, para o partido, é ruim atravessar mais uma eleição sem apresentar nomes para disputas futuras. Na política, como na moda, é preciso aproveitar as vitrines para mostrar os lançamentos da próxima temporada.

3 – A decisão ilusória: Embora essas pesquisas indiquem níveis elevados de definição de voto!, os profissionais do ramo, analisando outras – especialmente qualitativas -, percebem que as certezas dos eleitores são, a esta altura, provisórias.

As campanhas recém começaram e eles se veem alvo de uma comunicação maciça, tão grande que os deixa desconfiados.

O cidadão comum não se sente pressionado a resolver seu voto agora e nem acha que já tem informação suficiente para fazê-lo. Até a eleição, acredita ter tempo para conhecer melhor os concorrentes e se decidir com calma.

Curiosamente, há candidatos que hoje torcem para que os eleitores não mudem de ideia, com a mesma intensidade com que já torceram, em outras eleições, para que mudassem.

*Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi