Zema lança pré-candidatura, enquanto Gleisi chama governador de “traidor da soberania”

Gleisi Hoffmann: “É impressionante que um governador de Minas Gerais, terra de Tiradentes, não faça a menor ideia do que seja soberania nacional. O modelo dele deve ser o traidor Silvério dos Reis.”

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), lançou em 16 de agosto sua pré-candidatura à Presidência da República para 2026.

Em evento em São Paulo, diante de 1.500 apoiadores, o empresário afirmou que pretende “varrer o PT do mapa” e atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Zema também defendeu que o Brasil deixe o Brics, bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Gleisi reage e chama Zema de “traidor da soberania”

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu com dureza. Nas redes, acusou o governador mineiro de ser mais um bolsonarista que aplaude os ataques do presidente Donald Trump contra o STF.

Para ela, Zema tenta culpar Lula pelo tarifaço dos EUA quando o responsável foi Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo.

Gleisi lembrou que Zema governa Minas, “terra de Tiradentes”, mas age como o traidor Silvério dos Reis.

Bastidores: direita aplaude, Novo aposta

O lançamento da pré-candidatura foi celebrado por dirigentes do Novo.

O presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, repetiu o discurso de “varrer o petismo do mapa”. A plateia gritou “Fora Xandão” e “Fora Lula”, em sintonia com o bolsonarismo.

Analistas veem em Zema uma alternativa da direita liberal, mas sem base nacional consolidada.

Contexto mineiro e nacional

Zema, de 59 anos, foi eleito governador em 2018 e reeleito em 2022 com 56,18% dos votos válidos no primeiro turno.

Administrador formado pela FGV, construiu carreira no setor varejista.

A entrada no jogo presidencial reforça a fragmentação da direita, que já conta com Ratinho Júnior (PSD-PR), Ronaldo Caiado (União-GO) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) como potenciais candidatos.

Bolsonarista tardio

O contraste entre a festa da direita e a crítica de Gleisi escancara o dilema de Zema: será visto como um gestor liberal mineiro ou apenas como mais um bolsonarista tardio.

A comparação feita por Gleisi é dura, mas levanta um ponto fundamental: que Brasil Zema pretende representar, o da resistência ou o da submissão?

O eleitorado mineiro, guardião da memória de Tiradentes, terá a palavra em 2026.

A disputa pela narrativa começou e a oposição ao governador promete não aliviar.

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