A era da televisão tradicional no Brasil enfrenta uma transformação sem precedentes na história
Uma pesquisa do Ibope, divulgada recentemente, revela que o YouTube ultrapassou a Globo e as principais redes de TV aberta em audiência, tornando-se a plataforma mais assistida pelo público brasileiro com 18 anos ou mais.
O estudo, apresentado em um evento do Google para o mercado publicitário, mostra que, em televisores com internet, mais de 75 milhões de brasileiros acessam o YouTube, enquanto as emissoras tradicionais somam apenas 73 milhões de espectadores.
Patrícia Muratori, diretora do YouTube para a América Latina, destaca que essa mudança representa uma democratização do conteúdo.
“É uma revolução. As pessoas estão levando suas TVs para fora de casa, consumindo conteúdo de forma mais flexível”, comentou.
Essa nova realidade se reflete não apenas na forma como as pessoas assistem, mas também nas estratégias de negócios, como a recente aquisição do YouTube de 38 jogos do Campeonato Brasileiro entre 2025 e 2027, promovendo transmissões ao vivo gratuitas.
Além disso, a força das redes sociais se evidenciou nas eleições municipais de 2024, onde candidatos sem tempo de televisão, como Pablo Marçal (PRTB) e Cristina Graeml (PMB), conseguiram avançar nas urnas graças a um discurso antipolítica que ressoou nas plataformas digitais.
A eleição de bancadas parlamentares de influenciadores nas câmaras de vereadores extremistas também é resultado da “gamificação da política” de direita no país.
Dito isto, a ascensão do YouTube como líder de audiência destaca uma mudança significativa no consumo de mídia e sugere que o futuro da comunicação no Brasil está se distanciando das tradicionais estruturas televisivas e radiofônicas.
À medida que as plataformas digitais se tornam cada vez mais relevantes, a pergunta que se impõe é: como as emissoras tradicionais responderão a essa nova realidade?
Uma das possibilidades seria buscar a monopolização da informação por meio de legislação, que esmague a concorrência da mídia independente e das redes sociais, impondo uma espécie de ditadura da opinião única no país.
O que está claro é que a era da televisão como conhecíamos está chegando ao fim, dando espaço a um novo modo de consumo de informação e entretenimento.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




