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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente chinês Xi Jinping se encontraram nesta terça-feira (13) em Pequim para reforçar a estratégica parceria Brasil-China. A palavra-chave foi cooperação: de satélites a vacinas, de infraestrutura a cultura. Em discurso conjunto à imprensa, os dois chefes de Estado defenderam o multilateralismo, denunciaram o protecionismo e firmaram quase 30 atos bilaterais, evidenciando a aproximação crescente entre as duas maiores potências do Sul Global.
Lula destacou que essa é sua segunda visita à China neste mandato, retomando o laço diplomático que havia esfriado durante o governo Bolsonaro. Ele enfatizou a necessidade de uma nova ordem internacional, mais justa, com voz ativa dos países em desenvolvimento. “China e Brasil estão determinados a unir suas vozes contra o unilateralismo e o protecionismo”, afirmou o presidente brasileiro.
Xi Jinping, por sua vez, reiterou que somente com colaboração multilateral se garantirá a paz, a estabilidade e o desenvolvimento global. A declaração foi feita no âmbito do Fórum China-CELAC, que amplia os laços entre a Ásia e a América Latina.
Entre os resultados práticos do encontro está a ampliação do programa de satélites CBERS, com o lançamento de duas novas unidades para monitoramento ambiental, agrícola e meteorológico. Também foi firmado um protocolo para fortalecer a indústria naval brasileira e fomentar investimentos em infraestrutura.
Outro destaque foi a cooperação em saúde. Com novos acordos, Brasil e China vão expandir a produção de medicamentos, vacinas e equipamentos médicos. A mobilização de recursos financeiros também está no radar, com bancos centrais cooperando para facilitar investimentos.
O discurso de Lula também abordou os conflitos internacionais, como a guerra na Ucrânia e a tragédia humanitária em Gaza. Defendeu soluções diplomáticas, a existência de um Estado Palestino viável e a reforma do Conselho de Segurança da ONU para refletir a diversidade contemporânea.
No tema ambiental, Lula sublinhou a importância da COP30 em Belém, em 2026, como vitrine para metas ambiciosas de combate à crise climática. Xi Jinping reforçou o apoio à causa ambiental e ao papel dos países emergentes na liderança verde global.
O encontro entre Lula e Xi Jinping consolida uma fase de estreita cooperação bilateral, em meio à busca por uma nova ordem global multipolar. A visita reforça o protagonismo do Brasil no Sul Global e sinaliza uma diplomacia voltada à paz, à sustentabilidade e ao desenvolvimento soberano. A próxima parada será a Cúpula dos BRICS em julho, onde os dois líderes devem aprofundar essa aliança estratégica.
Acompanhe a cobertura completa no Blog do Esmael e deixe seu comentário sobre os rumos da diplomacia brasileira.
Aqui está a íntegra da declaração de Lula à imprensa
Declaração à imprensa por ocasião da visita oficial do presidente Lula à China
Declaração à imprensa lida pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por ocasião da visita oficial à China, apresentada no dia 13 de maio de 2025, em Pequim (China).
Retorno a Pequim apenas seis meses depois de receber o companheiro Xi Jinping para uma visita de Estado histórica em Brasília.
Realizo hoje minha segunda visita de Estado à China no atual mandato.
Trouxe comigo expressiva delegação de ministros, governadores, parlamentares e empresários.
A relação entre o Brasil e a China nunca foi tão necessária.
A Comunidade de Futuro Compartilhado por um Mundo mais Justo e um Planeta Sustentável, que estabelecemos em novembro passado, é uma alternativa às rivalidades ideológicas.
Há anos, a ordem internacional já demanda reformas profundas.
Nos últimos meses, o mundo se tornou mais imprevisível, mais instável e mais fragmentado.
China e Brasil estão determinados a unir suas vozes contra o unilateralismo e o protecionismo.
A defesa intransigente do multilateralismo é uma tarefa urgente e necessária.
Como demonstrado na discussão que tivemos no Foro CELAC-China, a América Latina e o Caribe são uma das regiões que mais sofre nesse cenário.
Guerras comerciais não têm vencedores. Elas elevam os preços, deprimem as economias e corroem a renda dos mais vulneráveis em todos os países.
O presidente Xi Jinping e eu defendemos um comércio justo e baseado nas regras da Organização Mundial do Comércio.
Superar a insensatez dos conflitos armados também é pré-condição para o desenvolvimento.
Os “Entendimentos Comuns entre o Brasil e a China para uma Resolução Política para a Crise na Ucrânia” oferecem base para um diálogo abrangente que permita o retorno da paz à Europa.
A humanidade se apequena diante das atrocidades cometidas em Gaza. Não haverá paz sem um Estado da Palestina independente e viável, vivendo lado a lado com Israel.
Somente uma ONU reformada poderá cumprir os ideais de paz, direitos humanos e progresso social consagrados em 1945 pela Carta de São Francisco.
O Conselho de Segurança deve refletir a diversidade contemporânea.
Amigas e amigos,
A fome e a pobreza em pleno século XXI são inaceitáveis.
A China, de forma admirável, conseguiu tirar 800 milhões de cidadãos da pobreza em apenas quarenta anos.
Unir esforços para combater essas chagas é o propósito da Aliança Global lançada pelo Brasil no G20 no ano passado.
China e Brasil também trabalham juntos para enfrentar a crise climática.
Vamos atuar em prol de metas ambiciosas de redução de emissões de gases de efeito estufa.
A ciência nos mostra que é preciso limitar o aumento da temperatura a 1.5 graus Celsius.
A COP30, em Belém, no coração da Amazônia, será determinante no caminho para um futuro de baixo carbono.
No plano bilateral, as sinergias estabelecidas entre nossos projetos de desenvolvimento mostram que dois grandes países emergentes podem cooperar e obter benefícios mútuos.
Nunca um número tão grande de projetos foi discutido de maneira sistemática em tão pouco tempo.
Os primeiros resultados concretos já podem ser constatados.
A cooperação entre os Bancos Centrais permitirá maior integração financeira e facilitará investimentos.
Com o programa Satélite de Recursos Terrestres Brasil-China, lançaremos dois satélites adicionais (o CBERS 5 e 6). Vamos gerar e compartilhar imagens para uso ambiental, agrícola e meteorológico com os países do Sul Global.
Hoje, estabelecemos um fórum para dinamizar a relação entre estaleiros brasileiros e chineses, em linha com o compromisso do meu governo de resgatar a indústria naval nacional.
Com os protocolos que assinamos ontem na área de saúde, estamos expandindo a capacidade brasileira de produção de remédios e vacinas, e de manufatura de equipamentos médicos.
O presidente Xi e eu também conversamos sobre mobilização de financiamento para projetos de infraestrutura, sustentabilidade e energia.
Há poucas semanas, uma missão chinesa esteve no Brasil para examinar oportunidades de investimento em infraestrutura no âmbito das Rotas de Integração Sul-Americana.
As Rotas são mais do que corredores de exportação entre o Atlântico e o Pacífico: são vetores de indução do desenvolvimento.
O evento empresarial realizado ontem, que reuniu mais de 700 participantes, demonstra a pujança de nossas empresas e o potencial dos investimentos recíprocos.
Para aproximar ainda mais nossas sociedades, vamos realizar o Ano Cultural Brasil-China em 2026 e ampliar incentivos para desenvolver o mercado do turismo.
Os quase 30 atos que assinamos hoje comprovam o dinamismo que o presidente Xi e eu temos imprimido ao relacionamento bilateral.
Não é exagero dizer que, apesar dos mais de quinze mil quilômetros que nos separam, nunca estivemos tão próximos.
Espero retribuir a calorosa acolhida que recebi do presidente Xi Jinping ao encontrá-lo na Cúpula do BRICS, em julho.
O BRICS será, cada vez mais, um espaço fundamental de coordenação do Sul Global para a construção de uma ordem multipolar, mais justa e eficaz.
Muito obrigado.
Leia também no Blog do Esmael: Anistia acusa EUA, Israel e Rússia de minar o multilateralismo; Entenda como funciona a concessão de rodovias; Gustavo Petro chega à China para fortalecer laços com Pequim

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




