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A derrocada do Washington Post, um dos jornais mais tradicionais dos Estados Unidos, virou símbolo do abismo que ameaça o jornalismo — e expõe o poder desregulado das big techs.
Os números não deixam dúvidas: em maio de 2025, o Post despencou para o 17º lugar entre os sites de notícias mais acessados dos EUA, segundo dados da Similarweb divulgados pelo Press Gazette. Foram apenas 72,2 milhões de visitantes únicos, desempenho que coloca o jornal atrás de rivais históricos como a Associated Press e a Newsweek.
A comparação com o passado recente é ainda mais brutal. Em abril de 2017, o Post registrava 78,7 milhões de visitantes e rivalizava diretamente com o New York Times, que na época alcançava 89,8 milhões. Hoje, o Times lidera o ranking com 444,9 milhões, enquanto o Post amarga um colapso de audiência digital.
Esta discussão foi levantada pelo site americano Media Nation.
Bastidores da queda: o “dono modelo” que virou problema
A deterioração do Washington Post ocorre no rastro de decisões polêmicas de seu proprietário, o bilionário Jeff Bezos. De “salvador da imprensa” a vilão, Bezos passou a ser visto por críticos como alguém que, na prática, abandonou o jornalismo em favor de interesses corporativos e políticos.
O ponto de virada, segundo analistas, foi o cancelamento repentino do apoio editorial à vice-presidente Kamala Harris às vésperas da eleição presidencial no ano passado. Desde então, a imagem do Post como referência de credibilidade e independência vem se desfazendo.
A crise, no entanto, não se explica apenas por erros editoriais ou má gestão. Faz parte de um cenário mais amplo de desmonte da imprensa tradicional, alimentado pelas próprias plataformas digitais que lucram com a desinformação e penalizam o jornalismo profissional.
Big techs e algoritmos: o peso oculto sobre a imprensa
O caso do Washington Post reverbera um debate global sobre o poder desproporcional das big techs no controle do fluxo de informação. Com algoritmos opacos e prioridades comerciais, gigantes como Google, Facebook e X (antigo Twitter) decidem o que aparece [e o que desaparece] nos feeds e nas buscas dos usuários.
No Brasil, o Blog do Esmael vem denunciando a chamada despriorização algorítmica, mecanismo pelo qual conteúdos jornalísticos independentes perdem visibilidade enquanto cresce o espaço para conteúdo raso, patrocinado ou manipulado.
Diferente de Bezos, que comanda um dos maiores conglomerados econômicos do planeta, pequenos veículos jornalísticos enfrentam essa realidade sem o respaldo bilionário e sob o risco permanente de asfixia financeira.
O drama do Washington Post, portanto, é ao mesmo tempo um alerta e um retrato. Expõe as contradições entre o discurso de defesa do jornalismo e a prática predatória de algumas grandes fortunas, e reforça a urgência de debater regulação dos algoritmos, sob marcos democráticos e consumeristas, para proteger o direito à informação.
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O que esperar daqui para frente
Enquanto o New York Times amplia sua audiência oferecendo não apenas jornalismo, mas serviços como jogos, dicas e conteúdos de estilo de vida, o Post tenta estancar a sangria sem uma estratégia clara.
O risco é que, sem mudanças estruturais e sem um ambiente digital mais equilibrado, o jornalismo de qualidade continue a minguar — e os gigantes da tecnologia sigam ditando as regras, invisibilizando vozes críticas e reduzindo o pluralismo informativo.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




