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Uefa investiga denúncia de racismo contra Vini Jr na Champions

A Uefa abriu investigação depois que Vinícius Júnior denunciou racismo em Benfica x Real Madrid pela Champions League, e o caso já virou um teste público para saber se a Europa pune de verdade ou só recita protocolo. O episódio explodiu na terça-feira (17), em Lisboa, com o jogo paralisado por cerca de 10 minutos.

A denúncia coloca holofote no “procedimento em três passos” que a Uefa diz dar ao árbitro poder de interromper, anunciar no estádio e, em último caso, suspender e abandonar a partida se o comportamento continuar. O problema é o velho de sempre: a distância entre o manual e a punição.

Linha do tempo do jogo, minuto a minuto (e o que veio depois)

  • Terça-feira (17), Estádio da Luz: Vinícius faz o gol do Real Madrid aos 50 minutos e comemora perto da torcida do Benfica.
  • Em seguida, ele acusa o atacante Gianluca Prestianni (Benfica) de ofensa racista e vai direto ao árbitro François Letexier.
  • O árbitro sinaliza o protocolo antirracismo e para a partida, que fica interrompida por cerca de 10 minutos. Vinícius chega a ficar no banco enquanto dirigentes e comissões conversam.
  • O jogo recomeça e o Real Madrid vence por 1 a 0.
  • Pós-jogo: Vinícius publica nas redes que “racistas são covardes” e critica a proteção a quem deveria punir.
  • Prestianni nega ter feito insulto racista, diz que houve mal-entendido e reclama de ameaças recebidas.
  • O Benfica repercute a defesa do jogador e se coloca ao lado dele.
  • A Uefa anuncia a nomeação de um inspetor de Ética e Disciplina para investigar a denúncia e diz que eventuais sanções serão divulgadas oficialmente.

O que está em jogo é simples: se a investigação virar só nota burocrática, o recado para os atletas é que o protocolo serve para “baixar a temperatura” e tocar o jogo, não para punir. Se vier punição robusta, abre precedente real, inclusive porque o regulamento da Uefa prevê suspensão mínima pesada em casos de insulto racista entre jogadores.

O próximo passo é técnico e político ao mesmo tempo: relatórios oficiais da partida, apuração do inspetor disciplinar, eventual abertura de processo e julgamento nos órgãos da Uefa. A pressão, desta vez, não está só na arquibancada, está na credibilidade da entidade.

Ou seja, a Champions vende a imagem de vitrine civilizatória, mas o racismo cobra a conta na prática, com o mundo inteiro olhando. Se a Uefa falhar, não será por falta de protocolo, será por falta de coragem.

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