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Por volta de 2016, no Paraná, um jovem deputado estadual chamou atenção ao propor a proibição dos canudos plásticos nos refrigerantes e sucos. Reinold Stephanes Júnior, político de direita, ficou conhecido nos bastidores políticos como o “Deputado do Canudinho”. A ideia, que inicialmente pareceu excêntrica, acabou ganhando corpo, e anos depois a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) retomou a discussão, resultando em restrições ao uso de plástico descartável.
Curiosamente, o tema voltou a ganhar holofotes, mas desta vez em escala global. Nos Estados Unidos, Donald Trump decidiu seguir um caminho oposto e pode ficar conhecido como o “Presidente do Canudinho. O presidente republicano anunciou que assinará um decreto para revogar restrições ao uso de canudos plásticos, contrariando uma política ambiental promovida por Joe Biden.
Trump contra-ataca: ‘De volta ao plástico’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (7) que pretende revogar a proibição de canudos plásticos imposta pelo governo de Joe Biden. A declaração, publicada na plataforma Truth Social, promete o retorno ao uso de itens descartáveis plásticos em serviços federais, desafiando as metas ambientais estabelecidas pelo democrata.
A decisão de Trump alinha-se à sua postura cética em relação às mudanças climáticas e reforça sua promessa de campanha de expandir a produção de combustíveis fósseis e reduzir regulações ambientais.
Fim dos canudos de papel? Trump contra-ataca regulação ambiental
A proibição dos plásticos descartáveis foi uma das principais medidas adotadas por Biden em 2023, como parte da estratégia para reduzir a poluição nos oceanos. O plano previa a eliminação gradual desses materiais até 2027 para serviços de alimentação, eventos e embalagens, estendendo a proibição para todas as operações federais até 2035.
Trump, porém, ironizou a iniciativa de Biden, chamando-a de “ridícula” e afirmando que os canudos de papel “não funcionam”. Sua ordem executiva, segundo aliados, visa encerrar a regulação e estimular a indústria do plástico, que tem grande influência econômica e política nos Estados Unidos.
Impacto ambiental e reações ao decreto de Trump
A decisão gerou críticas de ambientalistas e especialistas em poluição plástica. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o consumo global de plástico quadruplicou nas últimas três décadas, ultrapassando 400 milhões de toneladas anuais. Nos oceanos, estima-se que um caminhão de lixo de plástico seja despejado a cada minuto.
Além disso, a exposição a microplásticos e produtos químicos derivados do plástico é considerada uma ameaça à saúde humana, aumentando os riscos de doenças e contaminação da cadeia alimentar.
Trump e sua relação com o setor de combustíveis fósseis
A revogação da proibição de plásticos também favorece a indústria petroquímica, um dos setores que mais financiam a campanha de Trump. Empresas de petróleo e gás, que fornecem a matéria-prima para a produção de plásticos, têm sido grandes doadoras do Partido Republicano.
O retorno do republicano ao poder pode significar um retrocesso na política ambiental global, já que os Estados Unidos são o maior produtor de petróleo do mundo e um dos principais emissores de CO². Uma análise da Carbon Brief estima que a gestão de Trump possa resultar em um aumento de 4 bilhões de toneladas de emissões de carbono nos EUA até 2030, anulando os ganhos obtidos com tecnologias limpas.
Qual será o futuro da política ambiental dos EUA?
A decisão de Trump de revogar a proibição dos canudos plásticos é mais do que uma questão simbólica; representa um embate entre duas visões opostas sobre meio ambiente e desenvolvimento econômico. Enquanto Biden apostava na transição para materiais sustentáveis, Trump promete desfazer regulações e impulsionar a indústria petroquímica.
Diante desse cenário, a questão ambiental será um dos temas centrais da política do “Presidente do Canudinho” nos EUA. A dúvida que fica é: os americanos estão dispostos a priorizar a economia a curto prazo em detrimento da sustentabilidade global? A conferir.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




