Donald Trump voltou a usar o Brasil como exemplo negativo ao falar de criminalidade, citando Brasília entre capitais “perigosas” como Bogotá, Cidade do Panamá, Cidade do México e Bagdá. Mas os dados mostram que Washington, capital dos EUA, tem taxa de homicídios mais de três vezes maior que a do Distrito Federal.
Segundo o Atlas da Violência, Brasília registrou 12,3 homicídios por 100 mil habitantes em 2023, contra 39,86 em Washington. Em números absolutos, foram 347 mortes violentas no DF, que tem população de 2,81 milhões, contra 274 assassinatos na capital americana, com menos de 700 mil habitantes. Na própria coletiva, Trump exibiu gráficos confirmando essa diferença.
Comparação política e estratégica
Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro, Trump tem usado o tema da violência para reforçar pautas de “lei e ordem” e justificar intervenções. A menção ao Brasil, e em especial a Brasília, reforça a estratégia de criar conexões simbólicas entre capitais “problemáticas” e seu projeto de endurecimento policial nos EUA. No mesmo evento, ele anunciou intervenção federal em Washington, enviando 800 tropas da Guarda Nacional e assumindo o controle da polícia local, contra a posição da prefeita Muriel Bowser (Partido Democrata).
Brasil no radar político de Trump
O uso recorrente do Brasil nos discursos de Trump revela uma fixação estratégica, seja para influenciar a opinião pública interna, seja para marcar posição nas relações bilaterais. A retórica coincide com outras críticas e medidas já tomadas contra o país, como as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, sanções ao ministro do STF Alexandre de Moraes, e declarações polêmicas sobre segurança e comércio.
Brasil x Trump
Comparar Brasília a cidades em conflito serve mais ao jogo político de Trump do que a uma análise honesta da realidade. Ao ignorar que Washington lidera índices de homicídios entre capitais analisadas, o presidente americano distorce dados para sustentar uma agenda de militarização. O Brasil, mais uma vez, vira alvo de um discurso que mistura conveniência eleitoral e geopolítica.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




