Pelo menos 30 corpos recuperados do Rio Potomac, relata a mídia local, após avião de passageiros colidir com helicóptero militar
Uma colisão entre um avião comercial e um helicóptero militar sobre o Rio Potomac, nos arredores de Washington DC, deixou os Estados Unidos em choque na noite desta quarta-feira (29). Com 64 pessoas a bordo do jato e três tripulantes no helicóptero, as operações de resgate enfrentam dificuldades extremas: águas geladas, ventos intensos e escuridão. Até o momento, não há confirmação oficial de sobreviventes.
O voo 5342 da American Airlines, operado pela subsidiária PSA Airlines, decolou de Wichita (Kansas) com destino ao Aeroporto Reagan National. Por volta das 21h, durante a aproximação para pouso, colidiu com um helicóptero Sikorsky UH-60 Black Hawk do Exército dos EUA, em voo de treinamento. A queda ocorreu no Rio Potomac, próximo à capital americana.
Gravações da torre de controle revelam diálogos tensos entre controladores e pilotos minutos antes do impacto. “Torre, você viu isso?”, questionou um piloto após sons de respiração ofegante. Investigadores já recolhem dados de caixas-pretas e radares para entender falhas na comunicação ou na rota.
Entre os passageiros do avião estavam patinadores artísticos dos EUA e da Rússia, além de familiares e treinadores, que retornavam de um campeonato nacional em Wichita. O Kremlin confirmou a presença de cidadãos russos, mas não divulgou nomes.
Mais de 300 socorristas atuam no local, incluindo mergulhadores, Guarda Costeira e bombeiros. “As condições são extremamente difíceis: água turva, temperaturas abaixo de zero e ventos fortes”, afirmou John Donnelly, chefe do corpo de bombeiros de Washington. Equipes aguardam a luz do dia para intensificar buscas, mas a esperança diminui a cada hora.
O desastre coloca a nova administração Trump diante de seu primeiro grande teste. Pete Hegseth, secretário de Defesa empossado há uma semana, prometeu apuração rigorosa. Já o presidente Donald Trump sugeriu nas redes sociais que o acidente “poderia ter sido evitado”, sem detalhar evidências.
O Aeroporto Reagan, palco do acidente, é conhecido por seu espaço aéreo congestionado. Em 2024, houve oito quase colisões registradas no local. Em 1982, outro desastre marcou o Potomac: o voo 90 da Air Florida caiu na mesma região, matando 78 pessoas.
A União Internacional de Patinação (ISU) emitiu nota de pesar, destacando que “a patinação é uma família unida”. Atletas e entusiastas do esporte compartilham homenagens nas redes sociais, enquanto familiares aguardam notícias em frente ao aeroporto.
O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) assumiu a investigação, que deve levar meses. Especialistas apontam para possíveis revisões nas rotas aéreas do Reagan National, já criticadas por sobrecarregar o tráfego. Enquanto isso, Washington se prepara para vigílias e cerimônias em memória das vítimas.
Esta tragédia não é apenas um acidente aéreo. É uma advertência brutal dos riscos invisíveis nos céus — e da fragilidade que une passageiros, pilotos e famílias em luto.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




