O senador Sergio Moro (PL) ainda não se pronunciou sobre os repasses de ao menos R$ 24 milhões do Banco Master a duas empresas do Grupo Massa, do apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, pai do governador Ratinho Junior (PSD). Segundo apuração do Blog do Esmael, pré-candidatos ao Palácio Iguaçu vão cobrar do ex-juiz uma manifestação pública sobre o caso, que atingiu em cheio o entorno político do Palácio Iguaçu.
Os documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado mostram R$ 21 milhões para a Massa Intermediação, entre 2022 e 2025, e mais R$ 3 milhões para a Gralha Azul Empreendimentos e Participações em 2022. As duas empresas aparecem nos dados atribuídos ao Banco Master.
Em nota, o Grupo Massa afirmou que construiu sua trajetória com rendimentos declarados à Receita Federal, incluindo campanhas publicitárias e parcerias com marcas e empresas. A assessoria também disse que Ratinho Junior não é sócio do grupo.
Questionado pelo Blog do Esmael sobre a conexão Master/Massa, o staff de Moro foi lacônico: “Está incomunicável”.
O silêncio do senador virou problema político. Moro fala em rigor contra esquemas financeiros e sustenta a bandeira do combate à corrupção, mas evita tocar no ponto que mais interessa à disputa paranaense: a relação comercial entre o Banco Master e empresas ligadas à família do governador que ele tenta não hostilizar.
A pressão subiu de tom na noite de quarta-feira (8). Em publicação no X, o empresário Tony Garcia, pré-candidato ao governo do estado pela Democracia Cristã (DC), afirmou que “o Paraná precisa saber” o que Moro pensa sobre as acusações que pesam contra Ratinho Junior. No mesmo post, Garcia disse que o senador busca o apoio do governador para sua candidatura ao Palácio Iguaçu e que, por isso, uma manifestação pública sobre a denúncia “é mais que imperativa”.
O ataque de Tony amplia um incômodo que já corria nos bastidores. Adversários de Ratinho Junior passaram a tratar o caso como teste de coerência para Moro, que cobra explicações de quase todo mundo em Brasília, mas fica mudo quando a crise encosta no grupo dominante do Paraná.
O deputado estadual Requião Filho (PDT), pré-candidato ao governo com apoio da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), também vem cobrando coerência do ex-juiz da Lava Jato. Em postagem recente, alertou que “tem gente querendo enganar vocês”, numa referência direta ao senador do PL.
No mundo político, o caso Master passou a ser lido como a peça que faltava para explicar o súbito abortamento do voo presidencial de Ratinho Junior. Com a crise encostando no núcleo empresarial da família, o governador recuou do projeto nacional e voltou suas energias para tentar salvar a própria sucessão no Paraná, movimento que também afunda ainda mais a candidatura de Guto Silva (PSD), já combalida dentro e fora da base governista.
A conta, portanto, não caiu só no colo de Ratinho Junior. Caiu também sobre Sergio Moro, que entrou no debate eleitoral vendendo severidade moral, mas agora evita dizer ao Paraná o que pensa quando o caso Master alcança o grupo político com o qual pode precisar negociar em 2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




