O ex-deputado Tony Garcia afirmou ao Blog do Esmael que entrará na disputa pelo governo do Paraná em 2026 como candidato anti-Moro e anunciará até quinta-feira (2) o partido pelo qual tentará chegar ao Palácio Iguaçu.
Tony disse que fará uma campanha ancorada no que chama de verdades comprováveis sobre o senador Sergio Moro (PL). Autoentitulado “agente infiltrado” da Lava Jato na época em que Moro era juiz federal em Curitiba, ele afirmou ao blog que só falará na campanha aquilo que puder sustentar com fatos.
A entrada de Tony ocorre no momento em que o governador Ratinho Junior (PSD) tenta blindar a própria sucessão e vacinar sua base contra o avanço de Moro. Depois de desistir da corrida presidencial, Ratinho passou a concentrar energia na escolha de um nome do seu grupo para enfrentar o senador no Paraná. Nesse mesmo movimento, aliados do Palácio Iguaçu puxaram um contra-ataque sobre o PL paranaense, com a saída de Fernando Giacobo do comando estadual do partido e a debandada de prefeitos em direção à órbita governista.
Esse é o ambiente em que Tony tenta se colocar. Não como nome neutro, nem como candidato de centro administrativo, mas como antagonista direto de Moro. A diferença é que ele promete atacar o senador não pela retórica eleitoral clássica, e sim pelo acervo de acusações que vem fazendo há anos sobre os métodos da antiga “República de Curitiba”.
As denúncias de Tony já produziram efeitos concretos no Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2023, o ministro Dias Toffoli suspendeu todos os processos dele na 13ª Vara Federal de Curitiba e no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), além de pedir cópias integrais das ações ao Supremo.
Depois, em 2025, Toffoli autorizou diligências da Polícia Federal (PF) na antiga vara em que Moro atuou para examinar processos, documentos, mídias e outros materiais ligados às acusações apresentadas por Tony Garcia. Segundo esses relatos, ele teria sido usado para fazer gravações clandestinas de autoridades no caso Banestado, ainda em 2004.
Moro nega. Em manifestações públicas reproduzidas pela imprensa, o senador classificou os relatos de Tony como “mentirosos” e “fantasiosos”. Embora o inquérito tenha sido aberto para apurar os fatos narrados por Garcia, Moro não é investigado nesse procedimento.
Politicamente, a mexida de Tony cria mais um foco de pressão sobre a candidatura de Moro. O senador já entrou em 2026 lidando com ruído interno no PL do Paraná e com a reação organizada do grupo de Ratinho. Agora passa a enfrentar também a ameaça de uma campanha construída por alguém que conhece por dentro a história que mais pesa sobre sua biografia.
Tony Garcia ainda precisa mostrar duas coisas: por qual legenda caminhará e quanto fôlego eleitoral conseguirá transformar em voto. Mas o anúncio feito ao Blog do Esmael já acrescenta um dado novo à sucessão paranaense. Ratinho tenta imunizar sua base, Moro tenta consolidar o palanque, e Tony se oferece ao eleitor como o candidato que promete expor, em praça pública, tudo o que diz saber sobre o ex-juiz.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




