O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se reúne nesta segunda-feira (29) com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, em meio a desconfianças sobre seu futuro político e às pressões dos oligarcas da Faria Lima para um “acordão” que inclui anistia, o fim da prisão domiciliar do ex-mandatário e um realinhamento da direita.
A visita ocorre com autorização do ministro Alexandre de Moraes, já que Bolsonaro cumpre medida cautelar desde o início de agosto, determinada pelo STF, por seu envolvimento na trama golpista de 8 de janeiro, como já registrou o Blog do Esmael em publicações anteriores.
A ida de Tarcísio a seu padrinho político deverá ocorrer no período desta tarde, segundo apuração do Blog do Esmael. Moraes autorizou que o encontro ocorra em qualquer horário entre 9h e 18h desta segunda-feira.
Nos bastidores, segundo mostrou o Blog do Esmael, há uma operação de oligarcas do setor financeiro e da velha mídia para que Bolsonaro declare apoio público a Tarcísio. O objetivo é consolidar um nome capaz de unificar a direita em 2026 e, ao mesmo tempo, reduzir resistências no Supremo e no Congresso a uma saída negociada para a crise institucional.
Bolsonaro, segundo apuração publicada pelo Blog do Esmael, exige o “pagamento” antecipado para declarar apoio público ao pupilo Tarcísio. Em outras palavras, o ex-presidente condiciona a bênção política à aprovação da anistia e ao fim da prisão domiciliar decretada pelo STF em agosto. Só depois dessa contrapartida estaria disposto a alinhar seu capital eleitoral com o projeto da direita em 2026.
O governador paulista tem repetido que busca a reeleição, mas sua agenda em Brasília reforça especulações sobre uma candidatura presidencial.
Outro tema sensível do encontro é a anistia. O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto que busca reduzir as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, tenta aprovar o chamado “PL da Dosimetria”.
O Palácio do Planalto e o PT resistem à proposta, vista como indulgência disfarçada. Tarcísio se colocou como interlocutor de um texto alternativo, o que reforça sua posição de fiador do bolsonarismo perante o sistema.
Enquanto se articula a anistia, a Câmara dos Deputados prepara outra saída negociada. No Conselho de Ética, avança um acordo para preservar o mandato do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Filho do ex-presidente, ele segue nos Estados Unidos e evita retornar ao Brasil com receio de ser preso.
O processo no colegiado ameaça sua candidatura ao Senado em 2026, mas o Centrão já trabalha para transformar a cassação em pizza, com um relatório brando que permita a Eduardo preservar direitos políticos.
Sem uma definição clara, a visita de Tarcísio a Bolsonaro é lida como peça central no xadrez da direita. A dúvida é se o governador de São Paulo será mesmo o candidato à reeleição no estado ou se os oligarcas da Faria Lima e o próprio ex-presidente o empurrarão para a disputa nacional. A decisão, como sempre, passa pelos acordos de cúpula e pela capacidade de Bolsonaro, mesmo em prisão domiciliar, de transferir apoios.
Entretanto, se Tarcísio “fraquejar”, para usar uma expressão corrente no bolsonarismo, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), tem dito a aliados que está “preparado” para representar a direita nas eleições de 2026. Nesse cenário, uma das hipóteses em discussão é sua migração para o PL. A conferir.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




