Início / donald Trump

Trump abre nova frente tarifária contra o Brasil

O governo do presidente Donald Trump abriu uma segunda frente tarifária contra o Brasil ao incluir o país em uma lista de economias acusadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de falhar no bloqueio a produtos ligados a trabalho forçado. A nova ofensiva propõe tarifa adicional de 12,5%, fixa prazo de comentários públicos até 6 de julho e leva o conflito para exportadores, contratos em dólar e empregos formais no Paraná.

A frente anterior já mirava o Brasil em comércio digital, Pix, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. A nova acusação usa outro caminho: Washington diz que parceiros comerciais não barram, na importação, bens produzidos com trabalho forçado em cadeias globais.

O USTR não apontou, nesse comunicado, uma madeireira, um frigorífico ou uma cooperativa específica do Paraná. A acusação formal é contra a política brasileira de importação, que, segundo os Estados Unidos, não teria uma trava eficaz contra produtos fabricados com trabalho forçado.

A diferença importa porque a tarifa proposta não atinge apenas um setor suspeito. O aviso americano fala em cobrança adicional sobre produtos das economias investigadas, com exceções previstas em anexo. Para países no grupo do Brasil, a alíquota proposta é de 12,5%.

No Paraná, o risco não é abstrato. Os Estados Unidos foram o segundo destino das exportações paranaenses em 2024, com US$ 1,587 bilhão em compras, atrás apenas da China. O mercado americano respondeu por 6,8% das vendas externas do estado naquele ano.

A primeira linha de exposição está na madeira e nos produtos de madeira. Esse grupo somou US$ 614,5 milhões em vendas paranaenses aos Estados Unidos em 2024, o equivalente a 38,71% da pauta estadual para o mercado americano.

O detalhe traduz o tamanho do problema. O próprio levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES) aponta que esses produtos atendem principalmente a construção civil residencial americana, com serraria, madeira aplainada, folheados e painéis derivados de madeira.

O segundo bloco sensível é o de produtos alimentícios, com US$ 227 milhões e participação de 14,3% nas vendas do Paraná aos EUA. Nesse grupo, o levantamento cita café solúvel, açúcar de cana e leveduras, o que desloca a discussão para fábricas, cooperativas, logística e empregos industriais.

Máquinas e equipamentos aparecem logo depois, com US$ 217,5 milhões, ou 13,7% do total exportado pelo Paraná aos Estados Unidos. Equipamentos elétricos, produtos químicos, papel, couro, minerais não metálicos e veículos completam a lista de setores que podem sentir o custo de uma nova barreira.

Frigoríficos e cadeias de proteína animal também precisam acompanhar a lista final de exceções e o alcance prático da medida, embora a fotografia de 2024 mostre que, nas vendas paranaenses aos EUA, a maior dependência está na madeira, nos alimentos industrializados e em máquinas.

A pressão passa ainda pelo Porto de Paranaguá e pela rede de transporte que sustenta a exportação estadual. Em 2023, terminais estaduais escoaram 64% das exportações paranaenses. Uma tarifa que muda preço final, pedido, margem e prazo de entrega mexe com contêiner, frete, armazenagem e contrato.

A audiência em Washington está marcada para 7 de julho. Antes disso, empresas, entidades setoriais e governos podem apresentar comentários ao USTR. Para o Paraná, a pergunta imediata é quem vai defender os setores expostos com dados, não com discurso de palanque.

O governador Ratinho Junior (PSD), a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), cooperativas, exportadores e a bancada federal têm um mês para transformar preocupação em posição pública. O silêncio favorece quem quer tratar emprego paranaense como dano colateral de guerra comercial.

A nova frente também amplia a cobrança sobre Sergio Moro (PL), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que orbitam politicamente o trumpismo. Quando Washington ameaça encarecer produto paranaense, a conta deixa de ser ideológica e chega à fábrica, ao porto e à folha de pagamento.

O governo Lula (PT) terá de responder em duas frentes: contestar a acusação americana no prazo oficial e mostrar que o Brasil combate trabalho forçado sem aceitar tarifa usada como instrumento de pressão econômica. Para o Paraná, a tarefa é mais direta: mapear setor por setor, medir contratos em risco e cobrar proteção a empregos antes da audiência de julho.

A segunda tarifa de Trump não substitui a disputa anterior contra o Brasil. Ela abre outra porta de pressão sobre a economia brasileira, com argumento trabalhista, calendário próprio e impacto potencial sobre setores que sustentam parte das exportações paranaenses.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Leia também no Blog do Esmael: Lula vai ao G7 sem Trump formal e expõe contradição do palanque bolsonarista no Paraná; Pix vira marca de alto renome enquanto EUA aceleram tarifa contra Brasil; Caso Pix cobra protocolo da bancada do Paraná nos EUA