STJ libera TCU para retomar apuração contra Deltan Dallagnol por farra das diárias

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta sexta-feira (8) autorizar o Tribunal de Contas da União (TCU) a retomar a investigação sobre o uso de diárias e passagens pela força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, durante o período em que Deltan Dallagnol (Partido Novo) coordenava o grupo. A apuração estava suspensa por decisão liminar, agora derrubada por unanimidade pela Primeira Turma do STJ.

O caso envolve suspeitas de que integrantes da operação teriam se beneficiado financeiramente ao fracionar viagens e deslocamentos, acumulando pagamentos que extrapolariam o necessário para as funções exercidas. Deltan, que nega irregularidades, afirma que a prática era autorizada pelas normas internas do Ministério Público Federal.

A decisão reacende um debate sensível para o lavajatismo. Desde que foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e perdeu o mandato de deputado federal, por fraude à lei, Deltan tem enfrentado um cerco jurídico que inclui ações cíveis e de improbidade. No Paraná, aliados políticos tentam blindá-lo de um desgaste que pode comprometer futuras candidaturas, inclusive ao Senado em 2026.

Especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo Blog do Esmael garantem que Dallagnol está inelegível, portanto, ele não poderá candidatar-se nas eleições do ano que vem.

No TCU, a retomada da apuração é vista como passo decisivo para responsabilizar gestores e recuperar valores supostamente pagos de forma indevida. Já no meio político, a decisão do STJ é interpretada como mais um golpe na narrativa de “perseguição” que Deltan tenta sustentar, agora ampliando o alcance de seus embates para além da Justiça Eleitoral e do Conselho Nacional do Ministério Público.

Nos bastidores, líderes do PT e do PL no Paraná observam que a situação enfraquece o espaço eleitoral da direita lavajatista no estado, abrindo margem para recomposição de alianças e rearranjos de palanque nas eleições de 2026.