Selic de 15% revela censura ao penduricalho dos bancos na velha mídia corporativa

Selic a 15% volta ao centro do debate porque a velha mídia corporativa segue censurando o maior penduricalho do Estado brasileiro: os juros pagos a banqueiros e especuladores, em conluio estrutural com os barões da imprensa tradicional.

A retomada do tema não é insistência gratuita. É reação à censura econômica. Durante a semana, o Blog do Esmael já havia escancarado o contraste brutal entre salários e juros. O silêncio dos grandes veículos, a exemplo das Organizações Globo, confirma o problema: quando o privilégio é financeiro, o debate some.

O penduricalho que não vira manchete

Com a Selic em 15%, cada ponto percentual custa cerca de R$ 55 bilhões por ano. O total chega a R$ 660 bilhões, drenados diretamente do Orçamento da União para remunerar credores da dívida interna, sobretudo bancos e fundos.

Não é retórica. É aritmética fiscal.

Ainda assim, esse valor monumental não mobiliza editoriais indignados, nem campanhas morais, nem cruzadas diárias. O foco segue deslocado para salários, reajustes e auxílios, como se o trabalho fosse o problema central do país.

Censura confortável, silêncio conveniente

Há um tabu protegido quando o assunto é juros. Questionar a Selic virou heresia técnica. O Banco Central opera com autonomia formal, mas sob blindagem política e midiática, que esvazia o debate democrático sobre seus efeitos sociais.

Juros a 15% não são neutros. Eles escolhem vencedores.

Premiam o rentismo, punem a produção, reprimem o investimento, encarecem o crédito e travam o consumo. É transferência de renda contínua da economia real para o topo financeiro, ano após ano.

Salário gira a economia, juro sangra o orçamento

Aqui está o ponto que a velha imprensa evita.

Salário não desaparece. Salário paga aluguel, compra comida, sustenta comércio, preserva empregos e mantém a indústria funcionando. É dinheiro que circula e multiplica atividade.

Juro alto, não. Juro alto imobiliza, concentra renda e consome orçamento sem retorno social. Demonizar salários é atacar o mercado interno. Blindar juros é proteger privilégios.

O falso foco do debate público

O Congresso aprovou reajustes e reestruturações funcionais, com impacto estimado de R$ 4,3 bilhões em 2026. Há exceções acima do teto que precisam ser corrigidas com transparência. Isso não está em discussão.

O escândalo é a desproporção.

Comparar R$ 4,3 bilhões com R$ 660 bilhões deixa claro quem realmente pesa no orçamento. Transformar casos pontuais em espetáculo serve apenas para empurrar a agenda do aperto fiscal permanente, a mesma que preserva superjuros e socializa o custo.

Quem realmente trava o Brasil

O Brasil não está paralisado por salários. Está paralisado por crédito caro, investimento reprimido e consumo sufocado. A política monetária virou um freio estrutural do desenvolvimento, enquanto o debate público é cuidadosamente desviado para o lado mais frágil da equação: o trabalho.

Não se trata de negar correções institucionais. Trata-se de apontar o alvo certo.

A pergunta que a mídia não faz

Se salários geram consumo, produção e emprego, e juros drenam centenas de bilhões do orçamento sem retorno social, por que salários viram vilões e juros seguem intocáveis?

A resposta é política.

A Selic permanece fora do debate porque beneficia os oligarcas do sistema financeiro, em simbiose com a velha mídia corporativa. Enquanto isso, o país segue sangrando R$ 660 bilhões por ano.

Juros que sabotam o país

Salários constroem nações. Juros abusivos corroem países por dentro.

Valorizar o trabalho é condição de desenvolvimento. Submeter tudo ao rentismo é receita de estagnação. Enquanto a Selic seguir blindada e salários forem usados como cortina de fumaça, o Brasil continuará pagando a conta errada.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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