A pesquisa Vox Brasil divulgada nesta sexta-feira (3/7) registra o deputado federal Sandro Alex (PSD) com 5% das intenções de voto no cenário mais amplo para o governo do Paraná. O resultado amplia a tensão na base do governador Ratinho Junior, fortalece Sergio Moro (PL) como favorito e recoloca em circulação alternativas eleitorais envolvendo Rafael Greca (MDB) e Alexandre Curi (Republicanos).
No cenário com seis pré-candidatos, Moro lidera com 39,6%. Requião Filho (PDT) aparece com 20,8%, seguido por Greca, com 17,8%. Sandro ocupa a quarta posição, com 5%. Tony Garcia (DC) soma 1,8%, e Luiz França (Missão), 0,8%.
A distância entre Moro e Sandro chega a 34,6 pontos percentuais. O problema para o Palácio Iguaçu não está apenas na liderança do senador, mas no fato de o candidato escolhido para representar a continuidade administrativa de Ratinho Junior permanecer atrás de dois adversários sem o controle da máquina estadual.
Em outro cenário, sem Rafael Greca, Moro sobe para 47%, Requião Filho alcança 24,2% e Sandro fica com 4,8%. A retirada do ex-prefeito de Curitiba, portanto, não produz uma migração relevante para o candidato governista. O principal beneficiado é Moro.
A Vox também mediu o peso dos padrinhos políticos. Com apoio declarado de Flávio Bolsonaro (PL), Moro alcança 49,2%. Requião Filho, apresentado como candidato apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marca 22,8%. Sandro, associado diretamente a Ratinho Junior, chega a 10,2%.
O apoio do governador praticamente dobra a votação de Sandro em relação ao cenário completo, mas não altera a estrutura da disputa. Moro conserva uma vantagem de 39 pontos percentuais.
O dado mais delicado para a estratégia do PSD aparece em outro teste, realizado com uma composição diferente. Rafael Greca, apresentado como candidato apoiado por Ratinho Junior, obtém 23%, contra 43,4% de Moro e 20,4% de Requião Filho.
Os dois cenários não permitem medir diretamente uma transferência individual de votos, porque apresentam candidatos e combinações distintas. Politicamente, porém, mostram que o nome de Greca responde melhor ao apoio do governador do que o de Sandro dentro dos modelos testados pela Vox.
A diferença também aparece nas simulações de segundo turno. Moro venceria Sandro por 52,6% a 14,4%, uma distância de 38,2 pontos. Contra Greca, o placar seria de 47,8% a 29,6%. Diante de Requião Filho, Moro teria 51,6%, contra 26,8%.
A pesquisa confirma a liderança de Moro nos cinco cenários de primeiro turno, com vantagem média próxima de 21 pontos percentuais sobre o segundo colocado.
Sandro tem uma rejeição relativamente baixa, de 7,2%. Requião Filho lidera esse indicador, com 34%, seguido por Moro, com 20,4%. Greca registra 9%. A baixa rejeição de Sandro representa espaço potencial de crescimento, mas ainda não se converteu em intenção de voto.
É nesse ambiente que Ratinho Junior passa férias com a família nos Estados Unidos, incluindo viagem à Disney. A ausência do governador coincide com o momento em que aliados cobram uma intervenção mais direta na sucessão e discutem os riscos de manter uma candidatura que ainda não se mostrou competitiva.
Segundo relatos reunidos pelo Blog do Esmael, dirigentes e lideranças municipais já conversam sobre possíveis debandadas nos próximos dias. Não existe anúncio formal de rompimento, mas o desempenho de Sandro aumentou o custo político para partidos e prefeitos que precisam definir em qual palanque estarão na eleição de outubro.
O PSD marcou para 25 de julho, às 10 horas, em Curitiba, a convenção que deverá oficializar Sandro Alex como candidato ao governo. A chapa ainda não tem vice anunciado, e as negociações sobre as duas vagas ao Senado permanecem abertas.
A data fica apenas cinco dias depois da abertura do período legal de convenções. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), partidos e federações poderão realizar esses encontros entre 20 de julho e 5 de agosto.
Nos bastidores do Centro Cívico, a antecipação em relação ao prazo final é interpretada como uma operação para selar apoios, distribuir lugares na chapa e impedir “chifradas” ou traições na véspera do encerramento das convenções.
O problema é que uma convenção pode fechar juridicamente uma candidatura, mas não garante que todos os aliados subirão ao mesmo palanque. Prefeitos, deputados e partidos avaliam viabilidade eleitoral, espaço nas chapas proporcionais e compromisso com uma eventual administração.
A hipótese de um chapão envolvendo Rafael Greca e Alexandre Curi voltou a circular na virada para o fim de semana de 4 e 5 de julho. Não há composição formal anunciada, nem definição pública dos cargos que caberiam a cada participante. O movimento funciona, por enquanto, como alternativa discutida por setores que consideram Sandro vulnerável diante de Moro.
Greca aparece com 17,8% no cenário completo, mais de três vezes o percentual de Sandro. Curi, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), conserva influência sobre deputados, prefeitos e lideranças regionais. A combinação tentaria reunir voto conhecido em Curitiba, estrutura parlamentar e setores da atual base governista.
Essa articulação esbarra nos interesses da Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP). O deputado federal Ricardo Barros (PP) já afirmou que o grupo não foi chamado a participar da escolha de Sandro e ainda avalia qual candidatura apoiará, sem excluir uma conversa com Moro. Barros também declarou que o candidato de Ratinho enfrenta dificuldades em Curitiba.
A fala traduz o conflito central aberto pela Vox. Ratinho possui prefeituras, deputados, obras e estrutura administrativa. Moro possui, neste momento, a liderança eleitoral. Greca e Requião Filho têm presença maior que Sandro no eleitorado. A máquina estadual ainda não encontrou um candidato capaz de transformar apoio institucional em votos.
Curi era apresentado como pré-candidato ao Senado, antes da viagem de Ratinho aos EUA. Embora haja especulações sobre um novo arranjo governita para a corrida pelo Palácio Iguaçu, envolvento Greca-Curi ou Curi-Greca, não existe uma confirmação oficial.
A Vox Brasil ouviu 2 mil eleitores entre 29 de junho e 1º de julho. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com grau de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o número PR-09668/2026.
Pesquisa é um retrato do período da coleta, não uma previsão do resultado das urnas. A fotografia de 3 de julho, entretanto, impõe uma pergunta imediata ao grupo de Ratinho Junior: o PSD usará a convenção para confirmar Sandro ou para impedir que a sucessão do governador se desfaça antes do início oficial da campanha?
Continue acompanhando no Blog do Esmael as pesquisas, alianças e movimentos que definirão a disputa pelo governo do Paraná.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




