Meus caros leitores do Blog do Esmael, o sempre polêmico Roberto Requião (Mobiliza) se firma na disputa pela Prefeitura de Curitiba com críticas afiadas e promessas ousadas. Em entrevista ao g1 Paraná, nesta sexta (13/9), o candidato não poupou palavras contra a chamada “indústria da multa” e a privatização dos radares na cidade.
“A sugestão é ordenar isso tudo e acabar com a privatização. A multa não é uma indústria, eles faturam uma verdadeira barbaridade com empresas e a própria prefeitura”, disparou Requião. Ele questionou os diferentes limites de velocidade em trechos curtos, afirmando que a fiscalização não pode ser uma armadilha para os motoristas. A indústria e a privatização é uma armadilha para o povo ser rigorosamente roubado”, completou.
Requião também colocou o transporte público no centro de suas propostas, defendendo a recriação de uma frota de ônibus pública. Segundo ele, o modelo atual faz com que a população pague duas vezes o preço da passagem. “Eu acabo com a história de pagar por passageiro e estabeleço o km rodado. Eu fiz isso e reduzi o preço da tarifa de Curitiba para o mais baixo do Brasil”, relembrou.
E não perdeu a chance de alfinetar os concorrentes que prometem tarifa zero: “O que eu vejo é conversa mole. Tarifa zero. Não é verdade, é mentira. Levem a sério uma disputa pela Prefeitura de Curitiba. ‘Aos domingos vai ser mais barato’. Rouba segunda, quarta, quinta, sexta e sábado e no domingo diminui”, ironizou.
Outra proposta é a implementação da Guarda Comunitária. Requião explica que quer guardas mais próximos da população, sempre os mesmos em cada bairro, e devidamente preparados. “O guarda não pode ser um estranho que chega numa vila, não conhece ninguém e considera o povo como inimigo, tem horror de uma pessoa mais escura”, argumentou, colocando o dedo na ferida das relações comunitárias.
Defensor declarado da estatização, Requião afirmou que pretende acabar com a contratação de vagas na rede privada de educação infantil, embora reconheça que isso deve ser feito progressivamente. “Creche alugada e tudo isso é uma picaretagem sem tamanho. Não posso destruir tudo em 24 horas, mas progressivamente eu restabeleço a qualidade”, garantiu.
Em uma proposta inovadora, o candidato sugere a criação de um aplicativo de transporte administrado pela prefeitura, com o objetivo de evitar que tanto os motoristas quanto os usuários sejam “roubados” pelas empresas atuais. Por que um motorista tem que trabalhar desesperadamente horas e horas por dia para ganhar um dinheiro na Arábia Saudita e nos Estados Unidos? Então, a prefeitura monta o sistema e o sistema passa a operar”, explicou.
Quanto ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), Requião mostrou-se cauteloso. Ele afirmou que só tem interesse no projeto se não desviar recursos de áreas essenciais como saúde e educação. “Se uma empresa privada quer fazer um VLT do aeroporto até o centro da cidade para cobrar uma tarifa, por que não? Mas pegar o dinheiro que falta para você ter saúde e educação, para fazer um VLT e dizer ‘Curitiba é a cidade mais inteligente do país’ não é inteligência”, criticou.
Questionado sobre seu retorno à disputa pela prefeitura, Requião não hesitou: “Eu entrei nessa luta para livrar Curitiba dos donos do sistema e do mercado. Comecei a fazer política na minha vida para tentar mudar as coisas, transformar minha cidade, o estado e o país”, declarou.
E, como de costume, não deixou de cutucar os adversários: “Eles não têm condição de discutir Curitiba e dizer o que pretendem ou o que fazem”, comentou, referindo-se à ausência dos concorrentes em debates.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




