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Enquanto isso, Junior, o governador, “lulou” publicando vídeo “antes x depois do modelo Paraná” semelhante ao vídeo petista “antes x depois do Lula” [assista abaixo e compare]
O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, declarou neste domingo, 20 de setembro, seus votos para o Governo do Paraná e para as duas vagas ao Senado, mas deixou a disputa presidencial fora do vídeo publicado nas redes sociais. Pai do governador Ratinho Junior (PSD), ele pediu votos para Sandro Alex (PSD), Alexandre Curi (Republicanos) e Cristina Graeml (PSD), sem mencionar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida pelo Palácio do Planalto.
O silêncio não significa, por si só, apoio a Lula. Mas, na Boca Maldita, centro histórico dos rumores, articulações e leituras políticas de Curitiba, uma omissão desse tamanho a duas semanas do primeiro turno dificilmente passa despercebida.
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A “piscada” para Lula, portanto, é uma leitura política provocada justamente pelo que Ratinho não disse.
No vídeo gravado no sítio, o apresentador começa afirmando que estava pensando nas eleições do Paraná e apresenta aquilo que considera uma combinação de votos para o estado.
Para o Senado, Ratinho recomenda Alexandre Curi e Cristina Graeml. Curi aparece no vídeo como político jovem e conhecedor dos municípios. Cristina é apresentada pelo comunicador como “uma mulher de direita”, “batalhadora” e “bolsonarista”.
Ratinho é explícito ao destacar o vínculo de Cristina com o bolsonarismo. Mesmo assim, quando chega ao final da composição eleitoral, não estende o raciocínio à eleição presidencial.
Para governador, o apresentador pede voto em Sandro Alex, candidato escolhido pelo grupo de Ratinho Junior para tentar manter o Palácio Iguaçu sob o comando da atual base governista.
“Não vamos mexer nesse modelo”, afirma Ratinho ao defender Sandro Alex e a continuidade da administração estadual.
A chapa defendida pelo apresentador corresponde ao núcleo da campanha governista que percorreu Londrina neste domingo. Sandro Alex participou de agenda ao lado de Ratinho Junior, Alexandre Curi e Cristina Graeml na Feira do Cincão e depois seguiu para uma carreata.
Silêncio presidencial contrasta com discurso de Ratinho Junior
A omissão ganha peso porque o comportamento do apresentador difere do discurso político adotado pelo próprio filho nos últimos dias.
Ratinho Junior intensificou sua participação na campanha de Sandro Alex e passou a atacar Sergio Moro (PL), candidato ao governo apoiado por Flávio Bolsonaro no Paraná. Na quarta-feira, 16 de setembro, o governador acusou Moro de ter traído Jair Bolsonaro ao deixar o Ministério da Justiça e fez elogios ao ex-presidente.
Em agosto, Ratinho Junior também havia afirmado à imprensa que ficaria “com quem for” necessário para derrotar Lula, inclusive admitindo apoio a Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno.
O pai tomou outro caminho no vídeo de domingo.
Ele cita direita, bolsonarismo, Moro, Sandro Alex, Ratinho Junior, Curi e Cristina, mas encerra a conversa antes de chegar à urna presidencial.
Não há no vídeo declaração de voto em Lula. Tampouco há declaração de voto em Flávio Bolsonaro.
É justamente essa neutralidade presidencial que produz o fato político.
A disputa nacional está apertada. O Datafolha divulgado em 17 de setembro colocou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. O instituto ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04029/2026.
Num cenário dessa natureza, qualquer ausência de endosso em um estado onde a direita tem peso eleitoral entra imediatamente no radar das campanhas.
O Paraná, afinal, é também território de disputa entre os dois polos nacionais. Sergio Moro transformou seu palanque estadual em ponto de apoio de Flávio Bolsonaro, enquanto Requião Filho (PDT) recebeu Lula em Curitiba em 12 de setembro.
O grupo de Sandro Alex tenta ocupar um espaço próprio entre essas duas forças.
Ratinho Junior usa fórmula que lembra propaganda de Lula
Há ainda uma ironia publicitária nessa história.
Enquanto o apresentador Ratinho evita falar de Lula, seu filho, o governador Ratinho Junior, principal cabo eleitoral de Sandro Alex, publicou um vídeo explorando uma construção que remete à fórmula usada pela propaganda do presidente.
A comunicação petista trabalha o contraste “antes de Lula” e “depois de Lula” para comparar indicadores, obras e políticas públicas de períodos diferentes.
No Paraná, Ratinho Junior protagonizou uma peça baseada na mesma lógica de contraste entre dois tempos. A campanha governista apresenta realizações sob a fórmula “antes do Modelo Paraná” e “depois do Modelo Paraná”. A melodia do jingle é a mesma dos petistas.
A precisão é importante: o vídeo é de Ratinho Junior, não de Sandro Alex.
O conceito, porém, vai além daquela peça específica. “Antes do Modelo Paraná, depois do Modelo Paraná” tornou-se um dos motes empregados pela campanha de Sandro para vender continuidade, associando sua candidatura diretamente ao legado administrativo do governador.
Não se trata de afirmar identidade entre os projetos de Lula e Ratinho Junior, nem de dizer que houve cópia comprovada. A semelhança está na mecânica da propaganda e no jingle: estabelecer um “antes” e um “depois” e atribuir ao governante a transformação mostrada entre as duas imagens.
Na Boca Maldita, a coincidência de linguagem produziu uma provocação imediata: Sandro Alex teria “lulado” na propaganda eleitoral.
É uma leitura política e bem-humorada dos línguas-pretas que frequentam o centro de Curitiba, não uma declaração de apoio ao presidente.
Não existe, a partir dessa peça, qualquer manifestação pública de Sandro Alex em favor de Lula.
O que existe é uma campanha estadual tentando nacionalizar o menos possível sua disputa, enquanto utiliza uma fórmula publicitária reconhecível justamente no momento em que Lula e Flávio Bolsonaro polarizam a eleição presidencial.
Sandro colocou o chamado “Modelo Paraná” no centro de sua campanha. A estratégia procura apresentar sua candidatura como continuidade direta da gestão Ratinho Junior e transformar a avaliação do atual governo em ativo eleitoral para a disputa pelo Palácio Iguaçu.
O resultado é uma situação politicamente curiosa.
Ratinho Junior faz acenos ao eleitorado de Jair Bolsonaro. Cristina Graeml é apresentada pelo próprio apresentador Ratinho como bolsonarista. Flávio Bolsonaro disputa voto a voto a Presidência com Lula. A campanha de Sandro explora um “antes e depois” que lembra uma fórmula petista.
E, ao montar diante das câmeras sua combinação de votos para o Paraná, o apresentador Ratinho deixou justamente a escolha presidencial em branco.
Politicamente, o silêncio permite interpretações.
Ele pode representar apenas a decisão de limitar o vídeo às eleições paranaenses. Pode expressar neutralidade pessoal na disputa presidencial. Pode também preservar distância de uma guerra nacional que envolve interesses eleitorais distintos dentro do próprio campo político do PSD.
O vídeo, isoladamente, não permite afirmar qual dessas hipóteses explica a omissão.
Permite afirmar outra coisa: Ratinho teve a oportunidade de pedir voto em Flávio Bolsonaro e não pediu.
Na Boca Maldita, isso já basta para uma boa piscada.
Acompanhe no Blog do Esmael os movimentos finais das campanhas para as eleições de 4 de outubro.
Leia também:
Compare: “Antes do modelo Paraná, depois do modelo Paraná” x “Antes do Lula, depois do Lula” [vídeo]
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




