Ratinho Junior põe polícia contra polícia, dizem policiais civis barrados na ExpoLondrina [vídeos]

► Delegados da Polícia Civil boicotam operações pelos próximos 30 dias
► Presidente Jair Bolsonaro visita a ExpoLondrina nesta sexta-feira

Para evitar protestos de policiais civis, militares, bombeiros, delegados, policiais penais, dentre outras 22 categorias de servidores públicos, o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), determinou na quinta-feira (07/04) a proibição da entrada de algumas pessoas na 60ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina – a ExpoLondrina.

O Sinclapol (Sindicato dos Policiais do Paraná) emitiu uma nota de repúdio ao governador Ratinho Junior por impedir que policiais civis entrassem na ExpoLondrina, que, segundo a entidade, é uma festa pública realizada há sessenta anos.

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– A atitude do governo demonstra mais uma vez um desgoverno que o povo paranaense está sofrendo. A própria polícia é coibida de exercer seu direito de ir e vir – denuncia a nota do Sinclapol. “Como pode a população ter paz com um governo ditatorial e inconsequente?”, questiona.

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Policiais civis armam “ratoeira” para o governador Ratinho Junior

O documento do Sindicato dos Policiais Civis levantaram ainda as seguintes indagações a Ratinho Junior:

Economia

– Governador, o senhor tem medo da Polícia?

– Qual a necessidade de impedir que o trabalhador se manfieste?

O Sinclapol denuncia que práticas antissindicais e abusos de autoridade estão sendo vivenciados pelo povo paranaense com o atual governo do estado.

Delegados da Polícia Civil boicotam operações pelos próximos 30 dias

A Associação de Delegados de Polícia do Paraná (ADEPOL), por meio de nota, anunciou boicote dos profissionais da segurança pública às operações policiais pelos próximos 30 dias.

A ADEPOL também protesta contra o governador Ratinho Junior, que, segundo a organização, desvaloriza e promove desinvestimentos na área policia paranaense.

Os delegados alegam que o protesto é pela negativa da reposição das perdas salariais dos últimos seis anos (cerca de de 30%) e nenhum diálogo por parte do governador do Paraná.

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– O protesto da ADEPOL é em repúdio ao desrespeito com a alta demanda de trabalho, principalmente no interior do estado, sendo que dos 399 municípios paranaenses, em apenas 121 deles há Delegados de Polícia designados, defasagem que obrigaria aos servidores policiais civis a trabalharem inclusive em seus dias de folga para atender a população paranaense – diz um trecho do manifestado.

Além da não participação em operações policiais, os delegados de Polícia também aprovaram as seguintes medidas:

► Cumprir as 40 horas de trabalho protocolares, com período de descanso integral aos servidores
► Não aderir a nenhuma força tarefa, mesmo que seja paga uma diária extrajornada
► Não fornecer entrevistas aos meios de comunicação
► Valorizar a classe através das redes sociais
► Deslocamento pessoal em casos de crimes graves, mas apenas até a chegada dos peritos criminais
► Não se comunicar com as autoridades do governo do estado por aplicativos de mensagens, apenas pelos meios oficiais

As ações aprovadas em assembleia da ADEPOL já estão valendo e sendo cumpridas em todo o Estado do Paraná em parceria com a Base da Polícia Civil, o Sinclapol, que também aprovou em assembleia, diversas ações em prol da valorização salarial e melhores condições de trabalho.

Ratinho Junior minimizou o protesto dos policiais, mas, de acordo com o governador, os sindicatos são ligados à esquerda e ao PT. “São poucos policiais civis que são ligados a interesses eleitoreiros.”

O governador também colocou na conta do presidente Jair Bolsonaro (PL), que hoje visita a ExpoLondrina. “É um protocolo da Casa Militar”, disse Ratinho Junior.

Ao colocar a PM para barrá-los na entrada da ExpoLondrina, os policias civis dizem que o governador Ratinho Junior põe polícia contra polícia no Paraná.

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