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As pesquisas da Quaest previstas para quarta-feira, 21 de outubro, e do Datafolha esperadas para quinta-feira, 22, serão os primeiros levantamentos de grande repercussão capazes de captar parte dos efeitos do debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado no domingo (18). A leitura dos resultados exigirá atenção às datas de campo, à metodologia e à margem de erro, porque nem toda entrevista terá ocorrido depois do confronto.
Os levantamentos divulgados até terça-feira, 20 de outubro, indicam uma disputa apertada, com Flávio numericamente à frente em várias sondagens. A pesquisa RealTime Big Data publicada pelo Blog do Esmael apontou 52% para Flávio e 48% para Lula nos votos válidos. Esse resultado é de um instituto e de um período de coleta específicos; não deve ser tratado como previsão definitiva nem comparado sem ressalvas a pesquisas de outras metodologias.
Data de campo é tão importante quanto o percentual
Uma pesquisa divulgada depois do debate não mede necessariamente o efeito do debate. Para isso, é preciso saber quantas entrevistas foram feitas antes e depois do programa, quando começou e terminou a coleta e se o instituto entrevistou as mesmas regiões e perfis de eleitores em condições comparáveis.
Também importa distinguir votos totais de votos válidos. Os votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos conforme o cálculo informado pelo instituto, enquanto os votos totais mostram a distribuição entre todos os entrevistados. Misturar as duas bases pode produzir comparações enganosas.
Como comparar Quaest, Datafolha e outros institutos
Na leitura de cada levantamento, o eleitor deve conferir o tamanho da amostra, o método de entrevista, o nível de confiança, a margem de erro, as datas de campo e o registro na Justiça Eleitoral. Uma diferença de poucos pontos pode estar dentro da margem de erro e, portanto, não representar uma liderança estatisticamente conclusiva.
Além da intenção de voto, rejeição, indecisão e recortes regionais podem ajudar a entender o cenário. No segundo turno, porém, a rejeição não substitui a pergunta central: em quem o eleitor pretende votar. Variações entre pesquisas também podem refletir diferenças metodológicas e não apenas mudanças reais de opinião.
Reta final tem pouco tempo para mudança
Com a votação marcada para domingo, 25 de outubro, os levantamentos desta semana serão observados como indicadores de curto prazo. Ainda assim, uma pesquisa é um retrato do período em que as entrevistas foram realizadas, não uma contagem antecipada de votos.
O Blog do Esmael atualizará a comparação com os números, as fichas técnicas e os registros de cada instituto após a divulgação oficial. A análise vai separar percentuais, margem de erro e datas de campo para evitar que uma diferença pequena seja apresentada como virada consolidada.
Leia também: RealTime Big Data mostra Flávio com 52% e Lula com 48%.
Leia no Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




