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Greca faz o L por Lula e retoma gesto de 2022 contra Bolsonaro

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Na reta final do segundo turno de 2026, ex-prefeito de Curitiba defende Lula em discurso sobre cultura e recupera posição política que o Blog do Esmael registrou na disputa contra Jair Bolsonaro.

O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) voltou a fazer o L por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reta final do segundo turno presidencial. Em discurso durante um sarau no bairro Bom Retiro, na capital paranaense, na noite de segunda-feira (19 de outubro), Greca defendeu a Lei Rouanet, criticou a submissão dos interesses brasileiros aos Estados Unidos e pediu que os eleitores não decidam o voto apenas por ideologia.

O gesto retoma um posicionamento que já havia marcado a eleição de 2022, quando Greca, então prefeito de Curitiba, apoiou Lula no enfrentamento a Jair Bolsonaro (PL). O Blog do Esmael voltou a registrar esse alinhamento em outubro de 2023, ao relatar que o prefeito havia votado no petista no segundo turno e não compareceu à cerimônia de homenagem a Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Paraná.

Leia também: Greca é flagrado fazendo o L de Lula em Curitiba.

No discurso de segunda-feira, Greca relacionou a escolha presidencial ao financiamento da cultura e à preservação de políticas públicas. “Se o Lula não está dando pro gasto, mas pelo menos ele tem a reta intenção de servir aos pobres e de manter a Lei Rouanet”, afirmou, reconhecendo ressalvas ao governo, mas justificando sua preferência pelo presidente.

A declaração foi dirigida a um público de músicos e participantes do sarau. Greca argumentou que o fim do incentivo cultural prejudicaria artistas, produtores e instituições, e criticou os adversários de Lula por, segundo sua avaliação, não valorizarem a música, os museus, as universidades e as escolas públicas.

“Não tem ideologia na música, não tem música de direita nem de esquerda”, disse o ex-prefeito. Para sustentar o argumento, comparou a execução musical ao trabalho conjunto das duas mãos e defendeu que os brasileiros pensem para além das divisões partidárias.

Brizola, soberania e crítica aos Estados Unidos

Greca também evocou o legado de Leonel Brizola, a quem atribuiu parte de sua formação política. Ao mencionar o ex-governador, citou ainda Jaime Lerner, Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira como referências de uma tradição política associada à educação pública e à valorização da cultura brasileira.

O ex-prefeito criticou o que considera uma tentativa de subordinar o Brasil aos interesses americanos, especialmente em torno das terras raras e de outros recursos estratégicos. Na avaliação apresentada por ele, a eleição presidencial envolve também a soberania nacional e a capacidade de o país decidir o destino de suas riquezas.

A fala combina referências trabalhistas, defesa da cultura e preocupação social. Greca, porém, não apresentou um apoio incondicional ao governo Lula. Ao reconhecer que o presidente poderia não estar correspondendo às expectativas, justificou sua escolha pela intenção de atender aos mais pobres e manter mecanismos de financiamento cultural.

Um gesto que volta a incomodar a direita paranaense

O posicionamento tem peso político no Paraná porque Greca integrou, em 2026, a chapa de Sandro Alex (PSD) ao governo estadual, apoiada pelo governador Ratinho Junior (PSD). Na disputa presidencial, Ratinho e Sandro declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno.

Ratinho e Sandro foram ofuscados pelo governador eleitor, Sergio Moro (PL), que coordena o esforço da direita no Paraná.

A manifestação de Greca, portanto, contrasta com a orientação presidencial assumida pelos principais nomes da aliança governista paranaense. O ex-prefeito fala em defesa da cultura e dos pobres, enquanto o palanque ao qual esteve vinculado eleitoralmente se alinhou ao candidato do bolsonarismo.

O episódio também recupera uma contradição antiga da política curitibana: Greca mantém relações com setores de centro e direita, mas já manifestou simpatia por Lula em momentos decisivos. Em setembro de 2023, por exemplo, elogiou o discurso do presidente na Organização das Nações Unidas (ONU) e associou sua fala ao combate à fome.

Na reta final de 2026, o gesto deixa de ser apenas uma manifestação cultural. Ao pedir que o eleitor considere a Lei Rouanet, a proteção social e a soberania brasileira, Greca transforma o sarau em espaço de intervenção eleitoral e reafirma uma escolha que já havia feito no confronto entre Lula e Bolsonaro.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura do segundo turno presidencial e os bastidores da política no Paraná.