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O PED 2025, processo interno que define os rumos do PT em nível nacional, estadual e municipal, ganhou contornos muito maiores do que uma simples eleição partidária. Na prática, o que está em disputa é o projeto político que o partido vai levar às ruas, às redes e às urnas em 2026, e os sinais vindos do Paraná e de Brasília mostram que a máquina petista já começou a se reorganizar para uma nova ofensiva.
O movimento ganhou corpo com a declaração pública da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que anunciou apoio a Edinho Silva, favorito ao comando nacional do partido, além de reforçar os nomes de Arilson Chiorato no Paraná e Angelo Vanhoni em Curitiba. Mais do que preferências locais, o gesto de Gleisi simboliza a costura de um bloco alinhado ao núcleo duro do presidente Lula (PT), um bloco que já ensaia a preparação para a disputa presidencial.
Gleisi foi entrevistada com exclusividade pelo Blog do Esmael na sexta-feira (4). Ele, ainda, revelou que o presidente Lula irá à reeleição para “impedir o retorno da extrema direita” ao Palácio do Planalto nas eleições de 2026.
Nos bastidores do Planalto, o cenário é lido com clareza: se Edinho Silva consolidar sua eleição, o PT tende a entrar numa fase de maior coesão e ousadia política, alinhado diretamente ao projeto de Lula de buscar a reeleição em 2026. Um aperitivo dessa postura mais assertiva foi visto recentemente na polêmica do aumento de impostos para os super-ricos e na batalha do IOF, que ultrapassou o Congresso e foi parar nas ruas e nas redes.
A reação foi imediata. A ofensiva petista em defesa da taxação dos milionários e da polarização entre ricos e pobres assustou os barões da Faria Lima, epicentro do sistema financeiro e reduto da velha mídia corporativa. O incômodo dos oligarcas financeiros revela que o PT voltou a tensionar o debate econômico e social, exatamente como nos períodos mais agudos de embate entre projetos antagônicos no país.
O Paraná no centro da reorganização petista
No Paraná, o PED 2025 reúne quatro chapas na disputa pelo comando estadual, mas a sinalização de Gleisi Hoffmann ao lado de Arilson Chiorato reforça a tentativa de unificação do partido em torno do projeto nacional. O estado, tradicionalmente adverso ao PT, é estratégico no plano de reconstrução partidária — tanto no enfrentamento ao bolsonarismo quanto na tentativa de ampliar espaços institucionais em 2026.
Em Curitiba, o apoio da ministra à reeleição do vereador Angelo Vanhoni mira na retomada do protagonismo municipal do PT, fragilizado na capital há anos, mas visto como peça-chave para o reposicionamento da legenda no estado.
A votação do primeiro turno do PED acontece neste domingo, dia 6 de julho, das 9h às 17h. Segundo dados do partido, mais de 2,9 milhões de filiados estão aptos a votar em todo o país, sendo aproximadamente 165 mil no Paraná. O segundo turno, caso necessário, será no dia 20 de julho.
O PED, criado em 2001, é considerado uma das marcas do PT, por permitir que a base escolha diretamente seus dirigentes municipais, estaduais e nacionais, num exercício interno de disputa e reorganização política.
Consulta de aptidão e locais de votação: https://ped2025.pt.org.br/consulta/
O xadrez de 2026 e o temor dos oligarcas
O avanço do grupo de Edinho Silva no comando do PT tem um significado claro: a legenda prepara o terreno para uma campanha presidencial polarizada, em que a defesa dos pobres, o enfrentamento ao sistema financeiro e o embate com a velha mídia serão pontos centrais.
Não por acaso, o debate sobre o IOF, os impostos sobre grandes fortunas e a tributação dos super-ricos se transformaram na primeira grande batalha dessa nova fase. Lula e o PT, mesmo sob forte resistência no Congresso e nas instituições, sinalizam que pretendem tensionar o debate social e econômico, num cenário de crescente insatisfação popular e desgaste das elites.
O susto dos barões da Faria Lima, que viram nas ruas e nas redes o tema da justiça tributária ganhar corpo, é o primeiro indício de que a eleição de 2026 não será um passeio para as forças conservadoras — e o PED 2025 é o primeiro movimento concreto dessa engrenagem política.
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Lula 4 vem aí
O PED 2025 deixou de ser apenas uma disputa interna do PT. Tornou-se o laboratório político do projeto de poder de Lula para 2026 e o primeiro capítulo de uma ofensiva que já assusta as elites econômicas do país. A eleição de Edinho Silva, o alinhamento de Gleisi Hoffmann e a reorganização no Paraná são peças de um xadrez maior: o PT se arma para voltar às ruas com o discurso que incomoda os donos do dinheiro e da velha mídia.
Disputa pelo comando estadual do PT‑PR

| Candidato | Cargo Atual/Referência | Corrente/Chapa |
|---|---|---|
| Arilson Chiorato | Deputado estadual e atual presidente da Executiva estadual | Linha de renovação alinhada à Gleisi Hoffmann e CNB |
| Zeca Dirceu | Deputado federal, ex-líder da bancada do PT na Câmara | “O PT Mais Perto de Você” – aposta em reinserção territorial do partido |
| Tadeu Veneri | Ex-deputado estadual, ex-presidente do Sindicatos dos Profissionais da Educação | “Muda PT – O Caminho é Pela Esquerda” – crítica à falta de presença popular |
| Hermes Leão | Professor e ex-presidente da APP‑Sindicato | Representante da base sindical e educacional |
Cada candidatura representa um eixo estratégico:
- Chiorato busca profundidade política local e manutenção da atual estrutura de direção.
- Dirceu aposta na revitalização do partido junto às bases e municípios.
- Veneri propõe retomar o perfil original do PT, mais inserido nas lutas populares.
- Leão traz a voz direta dos trabalhadores da educação e da base sindical.
A disputa vai além da escolha de um nome. Ela revela um confronto sobre a identidade do PT no Paraná, se seguirá o caminho da articulação com a cúpula nacional e o Planalto, ou se se reunirá como partido de massas. O resultado no estado é, portanto, um retrato do padrão que poderá ser replicado em 2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




