A pré-campanha no Paraná chega a esta quarta-feira (27) com atos marcados em Curitiba, perfis públicos em plena mobilização e uma cobrança objetiva ao eleitor: agenda, foto e salão cheio só valem politicamente se vierem acompanhados de proposta verificável para tarifa, pedágio, segurança, emprego e transporte.
O Partido dos Trabalhadores do Paraná (PT) confirmou para sábado (30) o lançamento das pré-candidaturas de Requião Filho (PDT) ao governo do Paraná e de Gleisi Hoffmann (PT) ao Senado, em Curitiba. O campo progressista também mostra peças de mobilização nas redes sociais para o ato “Somos Vozes do Paraná”, com data, local e chamada à militância.
Na véspera, sexta-feira (29), páginas públicas e a plataforma Sympla registram evento de lançamento das pré-campanhas de Sergio Moro (PL) ao governo, Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) ao Senado, com presença divulgada de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no White Hall Eventos, no Jockey Club do Paraná.
A diferença desta pauta não está em contar cadeiras ocupadas. O Blog do Esmael já tratou da disputa dos salões. A pergunta agora é outra: quem chega ao fim de maio com agenda confirmada, fala registrada, voto dado, projeto apresentado ou plataforma pública capaz de ser checada pelo eleitor antes da campanha oficial?
A lei permite que pré-candidatos mencionem a pretensa candidatura, participem de eventos, divulguem posicionamentos políticos e peçam apoio político, desde que não haja pedido explícito de voto. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) afirma que a pré-campanha vai até 15 de agosto; o Ministério Público Federal (MPF) lembra que propaganda eleitoral só pode ser veiculada a partir de 16 de agosto.
Esse limite legal não impede proposta. Pelo contrário. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registra entendimento de que a exposição de plataformas e projetos políticos é permitida na pré-campanha, desde que não envolva pedido explícito de voto nem expressão equivalente.
Requião Filho é pré-candidato ao governo. Gleisi Hoffmann deixou a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) e anunciou a disputa por uma das duas vagas do Paraná no Senado. O ato de sábado (30) será o primeiro teste conjunto do palanque Lula no estado depois dessa arrumação.
Do lado governista estadual, o PSD confirmou Sandro Alex (PSD) como pré-candidato ao governo em 30 de abril. A sigla informou que o deputado federal e ex-secretário de Infraestrutura defenderá o legado do governador Ratinho Junior (PSD) e deve encabeçar a chapa de situação após a convenção partidária.
Alexandre Curi (Republicanos), presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), também passou a ocupar a disputa ao Senado no desenho do grupo governista. O Blog do Esmael registrou que Curi recuou da disputa pelo governo e aceitou ser pré-candidato ao Senado pelo campo ligado a Ratinho Junior.
Cristina Graeml se apresenta como pré-candidata ao Senado, embora ela ainda dependa do PSD bater o martelo. A própria oscilação de alianças da direita, com PL, Novo, PSD e Republicanos disputando espaço no mesmo eleitorado, reforça a necessidade de promessa escrita, não apenas declaração de palanque.
No campo bolsonarista-lavajatista, Flávio Bolsonaro anunciou apoio a Deltan Dallagnol e Filipe Barros para o Senado durante o evento de filiação de Sergio Moro ao PL, em março. A movimentação dá unidade formal ao ato de sexta-feira (29), mas não substitui resposta objetiva sobre pedágio, segurança pública, emprego, tarifa e relação com servidores estaduais.
A régua deve ser a mesma para todos. Requião Filho, Gleisi Hoffmann, Sergio Moro, Deltan Dallagnol, Filipe Barros, Sandro Alex, Alexandre Curi, Cristina Graeml e Ratinho Junior podem mobilizar base, testar rede digital e ocupar agenda pública. O eleitor, porém, tem direito de cobrar onde está a proposta, quem assina, quanto custa e qual decisão anterior sustenta a promessa.
O fim de semana de 29 e 30 de maio mede presença política em Curitiba. A eleição de 2026 medirá algo mais duro: quem transformou curtida, convite e palco em compromisso verificável com o Paraná.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




