A ministra Gleisi Hoffmann (PT) e o deputado estadual Requião Filho (PDT) lançam no sábado (30), em Curitiba, suas pré-candidaturas ao Senado e ao governo do Paraná, um dia depois do ato da direita com Sergio Moro, Flávio Bolsonaro, Deltan Dallagnol e Filipe Barros. A capital vira, em 24 horas, uma régua pública de mobilização para os dois campos que querem disputar o Paraná em 2026.
O ato de Gleisi e Requião Filho está marcado para as 10h, no Igloo Super Hall, no bairro Tarumã. A convocação circula como lançamento das pré-candidaturas do campo formado por PDT, PT, PCdoB, PV, Rede e PSOL, com presença esperada de lideranças, movimentos sociais, apoiadores e caravanas do interior.
Na véspera, sexta-feira (29), a direita marcou evento às 18h30 no Jockey Club do Paraná, no White Hall Eventos, com acesso pela Rua Dino Bertoldi, 740. A mobilização pública apresenta Sergio Moro (PL) ao governo do Paraná, Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado, com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no palanque presidencial.
A comparação não será apenas de discurso. Será de sala cheia, imagem, fila, militância, caravana, transmissão, corte para redes sociais e capacidade de falar para fora da própria bolha. O eleitor conservador urbano, o petista histórico, o servidor público e o eleitor de centro verão dois atos quase colados no calendário.
O detalhe físico pesa porque os dois eventos foram levados para o mesmo complexo do Jockey Club, ainda que em espaços diferentes. O Igloo Super Hall é divulgado como casa multiuso com capacidade de até 10 mil pessoas, dependendo da configuração. O White Hall aparece dentro do mesmo complexo como espaço para eventos de pequeno e médio porte, com limite divulgado de até 4 mil pessoas.
Capacidade, porém, não é público confirmado. O número que importará politicamente será o das imagens de sexta-feira (29) e sábado (30). A esquerda precisa mostrar que Requião Filho e Gleisi conseguem juntar militância, partidos e interior. A direita precisa provar que Moro, Deltan, Filipe Barros e Flávio Bolsonaro têm tração em Curitiba mesmo depois do desgaste nacional do caso Master.
O Blog do Esmael registrou que o lançamento de Moro ocorre ao lado de Flávio Bolsonaro e será usado para apresentar a chapa majoritária da direita no Paraná. A agenda ganhou peso em meio à crise provocada pelos contatos de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Esse é o ponto que muda a fotografia da sexta-feira (29). O palanque bolsonarista-lavajatista não será medido apenas pela presença de nomes conhecidos. Será cobrado pela capacidade de tirar o foco da crise e recolocar Moro como candidato competitivo ao Palácio Iguaçu.
No sábado (30), a esquerda terá outra tarefa. Gleisi Hoffmann chega como nome nacional do governo Lula, enquanto Requião Filho tenta consolidar o campo de oposição ao governo Ratinho Junior (PSD) no Paraná. O evento também deve apresentar nomes para deputado estadual e federal dentro da aliança, mas a chapa ainda não fechou vice nem segunda vaga ao Senado.
A disputa real passa por Curitiba porque a capital costuma concentrar voto conservador, antipetismo organizado, servidores públicos, classe média crítica ao governo estadual e bolhas digitais muito ativas. Quem dominar a imagem do fim de semana tentará vender força antes da próxima rodada de pesquisas.
O Blog do Esmael já mostrou que a presença de Flávio Bolsonaro no Paraná havia sido tratada como ativo do PL e problema para os aliados locais depois da crise envolvendo o Banco Master. A pauta nova, agora, não é a viagem isolada do senador, mas a comparação direta entre dois campos que escolheram Curitiba para medir musculatura antes da campanha oficial.
A régua será simples e cruel. Na sexta-feira (29), a direita testará se Moro ainda puxa o eleitor curitibano para um salão. No sábado (30), Gleisi e Requião Filho testarão se o campo Lula consegue transformar aliança partidária em volume de rua.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




