Escala 6x1 exige voto da bancada do Paraná
Início / Economia

Escala 6×1 cobra voto da bancada do Paraná

A Câmara dos Deputados colocou a escala 6×1 na reta de votação e empurrou a bancada do Paraná para uma escolha concreta: defender dois dias de descanso em prazo curto, alongar a transição para as empresas ou evitar posição pública até a chamada nominal. O parecer do deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA) foi apresentado na segunda-feira (25), com votação prevista na comissão especial para quarta-feira (27).

O relatório recomenda a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 e da PEC 8/2025, com substitutivo. Segundo apuração do Blog do Esmael, Prates rejeitou as emendas apresentadas e propôs a aprovação das duas PECs nos termos do texto substitutivo.

O ponto central para o trabalhador é direto: jornada de até 40 horas semanais, dois dias de descanso por semana, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial. A Câmara informa que, 60 dias após a promulgação da emenda, a jornada cairia para 42 horas semanais, já com dois dias de repouso; doze meses depois, o limite passaria a 40 horas semanais.

A mesma regra de transição: em 60 dias, início da escala de cinco dias de trabalho por dois de descanso e redução de 44 para 42 horas semanais; em um ano, queda para 40 horas semanais. Esse calendário virou o centro da briga política.

A pauta atinge trabalhadores de comércio, supermercados, farmácias, vigilância, telemarketing, transporte, restaurantes, hotéis, shopping centers, postos de combustíveis e limpeza. Para quem vive a escala 6×1, a mudança significa recuperar tempo de descanso, família, estudo e cuidado pessoal. Para empresas, significa reorganizar turno, folha, contratação e negociação coletiva.

É nesse ponto que a bancada do Paraná precisa aparecer.

Ainda não há placar público confiável da bancada paranaense sobre o texto final de Prates. O que existe, até agora, são declarações, postagens em redes sociais, entrevistas, requerimentos e movimentos formais na tramitação. Declaração não é voto. Assinatura não é voto. Retirada de assinatura também não é voto. O voto só existirá quando houver chamada nominal.

A deputada Gleisi Hoffmann (PT) vinculou a pauta à ideia de “vida além do trabalho” e defendeu a posição do governo Lula pelo fim da escala 6×1, com redução da jornada e garantia de tempo para descanso, lazer e família. Como pré-candidata ao Senado pelo Paraná, Gleisi coloca a pauta no centro da disputa com a direita do estado.

A deputada federal Carol Dartora (PT) foi mais dura. Em texto do próprio mandato, classificou a escala 6×1 como desumana e afirmou que o modelo impede convívio familiar, estudo e descanso. A fala dá à pauta um recorte social e racial, especialmente para trabalhadores da periferia, mulheres negras e mães submetidas a jornadas duplas ou triplas.

O deputado federal Zeca Dirceu (PT) pediu audiência pública no Paraná com sindicatos, centrais sindicais e representantes do setor produtivo. Ele defendeu acelerar a votação na comissão e no plenário, argumento que desloca a pauta do debate abstrato em Brasília para a pressão concreta sobre comércio, serviços e indústria no estado.

O deputado federal Tadeu Veneri (PT) também levou a pauta para a rua. Em publicação nas redes, convocou mobilização em Curitiba pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada sem redução salarial. A cobrança deixa a bancada paranaense sob pressão direta de sindicatos e trabalhadores urbanos.

O deputado federal Welter (PT) usou as redes para defender o fim da escala 6×1 ao lado de Lula. Em vídeo publicado no Instagram, afirmou que o trabalhador tem direito a jornada de no máximo 40 horas, cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial. A fala conecta a pauta ao campo popular do PT no Paraná.

A novidade política fora da esquerda é Toninho Wandscheer (PP). Em texto do próprio mandato, ele afirmou que defende o fim da escala 6×1 e jornadas mais equilibradas, como a escala 5×2, com mais qualidade de vida e tempo de descanso. A declaração pesa porque vem de um parlamentar do Progressistas, partido com base municipal e forte interlocução com prefeitos e setores produtivos.

Do outro lado, Sargento Fahur (PL) disse em entrevista que a escala 6×1 “vai acabar no Brasil”, mas defendeu prazo de adaptação para pequenos empresários. Essa é a linha de transição longa: não negar o fim da escala, mas disputar o tempo de implantação e o custo para o empregador.

Luisa Canziani (União) virou caso separado. Nas redes, afirmou ser falso que tivesse votado contra o fim da escala 6×1, porque a pauta ainda não havia sido votada no plenário. Depois, a Câmara registrou requerimento dela para retirar assinatura das emendas 1 e 2 apresentadas à PEC 221/2019. O movimento não equivale a voto favorável ao relatório, mas corrige o registro político anterior.

A pergunta ao Paraná, portanto, não cabe em tabela apressada. Gleisi Hoffmann, Carol Dartora, Tadeu Veneri, Zeca Dirceu e Welter defendem publicamente o fim da escala. Toninho Wandscheer também declarou apoio ao fim da 6×1. Sargento Fahur admite o fim do modelo, mas quer prazo para adaptação. Luisa Canziani nega voto contra e retirou assinatura de emendas. Os demais deputados precisam dizer qual prazo defendem.

A votação interessa porque a escala 6×1 não é uma sigla de Brasília. Ela organiza a vida de quem trabalha sábado, domingo e feriado com uma folga por semana. Também mexe com a conta de uma farmácia de bairro, de um restaurante familiar, de uma loja de rua e de uma rede de supermercados.

A Câmara precisará aprovar a PEC em comissão, depois em dois turnos no plenário. Se passar, o texto seguirá ao Senado. Até lá, a bancada do Paraná terá de escolher entre declaração pública, cálculo eleitoral ou silêncio. Para quem trabalha seis dias por semana, silêncio também será lido como posição.

A escala 6×1 entrou na fase em que discurso, assinatura e voto serão confrontados. Quem defende descanso precisa mostrar como vota. Quem defende transição longa precisa explicar o prazo.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Siga o Blog do Esmael no WhatsApp

*Requer WhatsApp atualizado. Se não abrir, atualize o app.