O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a abordar, nesta sexta-feira (20), o impasse político que questiona o equilíbrio fiscal no Brasil. Durante um café da manhã com jornalistas, Haddad destacou que tanto a direita quanto a esquerda adotam posições que dificultam a aprovação de medidas consideradas por ele essenciais para ajustar as contas públicas. Segundo o ministro, enquanto a direita resiste ao pagamento de impostos devidos, a esquerda mostra relutância em conter os gastos públicos.
“Como é que fecha as contas?”, questionou o ministro da Fazenda, ressaltando que o desarranjo econômico é resultado de negligências acumuladas. Para Haddad, o gargalo vai além de questões ideológicas e exige um compromisso coletivo com a sustentabilidade fiscal.
O pacote fiscal aprovado esta semana pelo Congresso Nacional, inicialmente projetado para gerar uma economia de R$ 71,9 bilhões nos próximos dois anos, foi reduzido em R$ 1 bilhão após ajustes. Apesar das mudanças, Haddad defendeu que as medidas são um primeiro passo importante, embora admita a necessidade de novos ajustes no futuro.
Não é simples cortar gastos ou aumentar a arrecadação”, afirmou, respondendo a críticas sobre uma suposta “desidratação” das propostas enviadas ao Legislativo.
Economistas do mercado financeiro, no entanto, permanecem céticos quanto à capacidade das medidas de reverter o déficit fiscal. Eles argumentam que o pacote é insuficiente para conter o desajuste acumulado.
Para Haddad, a revisão permanente de despesas deve ser parte da rotina administrativa em todas as esferas do poder público. Ele criticou a falta de uma cultura de austeridade responsável no setor público e defendeu que cortes e ajustes não devem ser tratados como medidas excepcionais.
A prática de revisar gastos deve ser inerente à gestão, seja numa prefeitura, num estado ou no governo federal”, pontuou.
Haddad enfatizou que o sucesso das políticas fiscais depende de um consenso político raro nos dias atuais. Esse discurso desagrada a esquerda e a direita”, admitiu, evidenciando a dificuldade de construir pontes entre forças políticas tão polarizadas.
As adversidades foram vencidas no Congresso Nacional à medida que as ‘Emendas PIX’ foram pagas pelo governo, o que ajudou a reduzir o impacto das divisões ideológicas e das resistências ao Plano Haddad.
Segundo a lógica da cartilha fiscalista, à qual Haddad parece aderir, o equilíbrio entre arrecadação e contenção de gastos é apresentado como indispensável para evitar crises financeiras. Contudo, essa abordagem frequentemente negligencia as urgências sociais mais imediatas, colocando em segundo plano a luta por direitos fundamentais e a promoção de uma justiça econômica que beneficie as maiorias.
O presidente Lula (PT), por sua vez, explicou o plano de cortes contido no Plano Haddad.
“Seguimos mais convictos que nunca que a estabilidade econômica e o combate à inflação são as coisas mais importantes para proteger o salário e o poder de compra das famílias brasileiras. Tomamos as medidas necessárias para proteger a nova regra fiscal e seguiremos atentos à necessidade de novas medidas”, disse o mandatário em uma transmissão online [assista abaixo].
Sob essa ótica, o discurso do equilíbrio fiscal muitas vezes se torna um eufemismo para justificar cortes que impactam diretamente a população mais vulnerável, enquanto grandes fortunas e privilégios seguem preservados. A questão central permanece: como construir uma economia que priorize as pessoas e não apenas os números?
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




