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O próximo presidente da República, seja Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), encontrará em 2027 um Congresso mais forte e com o Partido Liberal na liderança das duas Casas. O PL elegeu 121 deputados federais em 4 de outubro e terá uma bancada projetada de 28 senadores, segundo dados da Câmara dos Deputados e do Senado. O tamanho do bloco não elimina a necessidade de negociação para aprovar emendas à Constituição.
Esta é a principal consequência institucional deixada pelo primeiro turno para a disputa presidencial: vencer em 25 de outubro não entregará ao novo governo maioria automática no Congresso.
PL cresce para 121 deputados
Na Câmara, o PL passou de 97 deputados eleitos em 2022 para 121 em 2026, um crescimento de 24 cadeiras. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, terá 88 deputados. A federação União-PP aparece logo depois, com 87.
Somadas, as duas maiores bancadas adversárias não resolvem sozinhas a formação de maioria. Para aprovar projetos ordinários, medidas provisórias e, sobretudo, emendas constitucionais, o Executivo terá de construir alianças.
Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) exige três quintos dos votos em dois turnos em cada Casa: 308 deputados e 49 senadores.
Senado amplia poder do PL
O PL elegeu 19 senadores nas 54 vagas disputadas em 2026. Com os mandatos que permanecem até 2030, a legenda deverá iniciar a próxima legislatura com 28 senadores, a maior bancada partidária da Casa.
Mesmo assim, 28 votos estão longe dos 49 necessários para alterar a Constituição. Um eventual governo Flávio Bolsonaro teria de negociar com União-PP, PSD, Republicanos, MDB e outras forças do centro. Uma vitória de Lula exigiria construir maioria diante de um Senado mais inclinado à direita.
Eleição presidencial não encerra disputa de poder
A composição do Congresso reduz a margem para qualquer presidente governar apenas com sua base eleitoral. Orçamento, reformas, indicações, projetos econômicos e mudanças constitucionais dependerão da relação com líderes partidários.
O resultado também aumenta o peso das presidências da Câmara e do Senado. A eleição das Mesas Diretoras, marcada para fevereiro de 2027, será o primeiro grande teste de força do novo governo.
No Paraná, o efeito será direto porque a bancada federal eleita participará dessas negociações, enquanto o estado também enviará novos senadores para uma Casa em que o PL ampliou sua presença.
O segundo turno escolherá o presidente. O primeiro turno, porém, já definiu grande parte das condições políticas sob as quais ele governará.
O Blog do Esmael acompanhará a formação das bancadas, as alianças e a disputa pelo comando do Congresso. Siga a cobertura e compartilhe esta reportagem.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




