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Trump recebe Petro nesta terça na Casa Branca temendo avanço da China na região

O encontro entre o presidente da Colômbia e Donald Trump, previsto para às 13h desta terça-feira, horário de Brasília, ganhou peso geopolítico maior após o presidente dos Estados Unidos admitir conversas com Cuba e confirmar que, em março, receberá o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Branca, sinalizando uma ofensiva diplomática de Washington sobre a América Latina.

A reunião ocorre depois de meses de tensão entre Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da Colômbia, e Donald Trump, que voltou ao poder com discurso agressivo sobre drogas, imigração e segurança regional.

Nos bastidores, diplomatas avaliam que Trump tenta reorganizar sua relação com governos latino-americanos após sucessivos atritos e perda de espaço para a China na América Latina. A admissão de diálogos com Cuba e a agenda marcada com Luiz Inácio Lula da Silva indicam pragmatismo, mesmo sem abandonar a retórica dura.

Não é de somenos que, há um mês, os Estados Unidos protagonizaram uma operação de força na Venezuela que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro, episódio que ainda repercute internacionalmente.

Maduro sustentava uma aliança estratégica com a China, principal compradora do petróleo venezuelano, o que revela um interesse econômico e geopolítico ao movimento de Washington. O gesto foi lido por analistas como sinal de que Trump está disposto a tensionar relações com potências globais para redesenhar a correlação de forças na América Latina.

No caso colombiano, o tema central segue sendo o narcotráfico. Trump voltou a acusar a Colômbia de enviar grandes volumes de cocaína aos Estados Unidos. Petro responde com dados de apreensões recordes e defesa da substituição de cultivos, estratégia que enfrenta resistência em Washington, mas tem respaldo de organismos internacionais.

A pauta inclui ainda migração e Venezuela. A fronteira colombiana é peça-chave para a estabilidade regional. Os Estados Unidos pressionam por alinhamento político. A Colômbia tenta preservar autonomia diplomática e evitar escaladas militares que impactem sua segurança interna.

A sinalização de abertura com Cuba e reaproximação com o Brasil muda o contexto do encontro. Para analistas, Trump busca mostrar controle político do hemisférico, combinando pressão seletiva com diálogo direto. Petro, por sua vez, tenta se reposicionar como interlocutor legítimo, sem romper com sua base progressista.

O risco de choque permanece. Ambos são líderes de fala improvisada e estilo confrontacional. Ainda assim, o encontro, somado aos movimentos com Havana e Brasília, aponta para uma estratégia menos isolacionista e mais transacional da Casa Branca.

Trump testa uma diplomacia de resultados, mirando drogas, migração e estabilidade regional. Petro ganha tempo e espaço internacional. Lula entra no radar como peça central do Sul Global. A América Latina volta ao centro do jogo em Washington, temendo o avanço chinês na região.

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